I - Jornalismo

Pernilongos que não se acabam!
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Vivemos e agimos como uma espécie de buraco negro, absorvendo tudo, e ao mesmo tempo, assimilando pouco ou mesmo nada. Estamos em uma época de geração de conhecimento superficial-efêmero e saber limitado

No atual mundo em que vivemos, estamos rodeados de caracétristicas específicas do nosso própio tempo. Um dos conceitos mais trabalhados e discutidos hoje é a modernidade e sua sucessora transmodernidade. Para se chegar a tais conceitos, devemos ter presentes vários fatores – ou causa que nos leva a tal – dentre eles, é importante citar a globalização, as técnicas de informação, o capitalismo neoliberal e a ética.

Diríamos que não existe uma definição perfeita para designar o que seria a globalização, no entanto, poderiamos dizer que se trata de “um processo ainda em curso de integração de economias e mercados nacionais”. É importante salientar também que não se trata unicamente de um fluxo mercadológico, ou mesmo, interdependência ou livre circulação de pessoas, e sim um processo de revolução – sobretudo tecnológido – donde as fronteiras e abismos que barravam as pessoas não existe mais. A globalização em si trata-se de um processo antigo, porém, somente na década de noventa ela se colocou como um “fenômeno de dimensão realmente planetário”, certamente pelos processos de comunicação e revoluções tecnológicas.

“As navegações e o processo colonialista constituíram momentos que permitiram à humanidade acelerar os contatos de troca de informações, de técnicas, de cultura e principalmente expandir o capitalismo e interligar os mercados mundiais. Pode-se dizer que a multiplicação dos espaços de lucro (domínio de mercados, locais de investimento e fontes de matérias-primas) conduziu o mundo à globalização”.

Atualmente produzimos – em todos os sentidos – no período de um ano o equivalente ao que a humanidade precisou quarenta séculos para acumular. Tomemos por exemplo os meios de comunicação: temos acesso a consultar quantos informativos (jornais, revistas, rádio, TV, internet etc) diariamente? Já se deu conta da quantidade de e-mails que se recebe em um período de 24 horas? E o mais importante, já parou para refletir o custo – partindo do ponto de vista financeiro – e benefícios de tudo isso? Partindo desse pressuposto, podemos crer que estamos em um momento ápice da história, do que chamaríamos trans-modernidade. Vivemos e agimos como uma espécie de buraco negro, absorvendo tudo, e ao mesmo tempo, assimilando pouco ou mesmo nada. Estamos em uma época de geração de conhecimento superficial-efêmero e saber limitado.

Com todas as técnicas de comunicação existentes e tudo o que temos no que diz respeito à tecnologia, somos capazes de suplantar as barreiras que existem entre os seres humanos e tornarnos seres comunicáveis por essência. A comunicação em si faz parte do cotidiano das pessoas e as integram entre si em todos os processos do cotidiano.

Outro aspécto que influencia a pós-modernidade é o capitalismo neoliberal, conceito que já impregnou a vida das pessoas e ainda faz com que sua essência influencie o mundo de forma geral. Para viver em esse universo, várias barreiras são ultrapassadas, e entre elas, a própia barreira da ética que, ao menos em teoria, deveria assegurar os direitos das pessoas. Nesse sentido, a pós-modernidade transcende-se e chega ao ápice de tornar-se trans-modernidade. O sujeito nega todos os valores em que vive, entretanto, não apresenta soluções práticas para suprir as necesidades e eliminar as arestas dos males causados pelos mesmos. Torna-se aí um sujeito sem referências e que não reconhece mais os valores impostos e constituídos ao longo do tempo de sua própia história.

Fonte: Isaias Silva Pinto - Acima

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Monografia apresentada para o
curso de graduação em Comunicação
Social – Jornalismo da UniverCidade,
sob a orientação da professora
doutora M. Eliane Paiva.

Resumo


Os meios de comunicação se revelam como o quarto
poder na sociedade. Desde o advento da imprensa, muito
tem-se criado para fazer dela um meio de atingir interesses
específicos. Tem-se aqui por objetivo apresentar um quadro
geral da imprensa e seu papel na sociedade. Buscamos
visualizar quais são as formas e padrões de manipulação da
mídia, que, na maioria das vezes, está cercada e sufocada
pela política. Focar qual o papel do agente que intervém na
notícia, o jornalista, e qual verdade ele busca oferecer como
produto de seu trabalho. Fazemos, ainda, uma análise de dois
veículos de comunicação, demonstrando, através de pesquisa,
que a manipulação está presente no cotidiano da mídia.
Palavras-chave: imprensa, manipulação, verdade

Resumè


Les moyes de communication se révélent comme étant
le quatrième pouvoir de la societé. Dès l’avent de l apresse
on a beaucoup crié pour la faire um moyen d’atteindre interets
spécifiques. Ici on a pour objetif présenter um cadre général
de la presse et son rôle dans la société. Nous essayons de
visualiser les formes et les modèles de manipulation de la
“midia”, laquelle la pluspart de fois est entouré et suffoqué
par la politique. Mettre au point le rôle de l’agent qui intervient
à la notice, le journaliste, et quelle vérité il recherche pour
offrir comme produit de son travail. Nous faisons, encore,
une analyse au sujet de deux véhicules de communication,
pour démontrer à travers de l’enquête, que la manipulation
est présente dans le cotidien de la “midia”.
Centre du texte: presse, manipulation, vérité

Abstract


The media shows itself as the forth power in the society.
Since the beginning of the press, many things had been done
to make it a medium that reaches specific interests. This paper
intends to show a press general perspective and its role in the
society. We try to visualize which are the manipulation structure
and models of the media that, in general, is surrounded and
suffocated by politics. We try to identify the role of the agent
that interview on the news, the journalist, and which is the true
he wants to offer as his job’s product. Also, we analyze two
media, showing, with researches, that the manipulation is
always present in the media.
Key-words: the press, manipulation, truth

Fonte: Acesse AQUI

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No decorrer de nossa existencia só cometemos erros distintos uma única vez. Quando acontece de um erro se repetir, o erro em si deixa de existir e se torna um vício. Pode-se entender por vício algo como que parte de um todo, que por causar ou apresentar reacoes adversas, muitas vezes é ignorado ou eliminado. Sendo eliminado, extingue-se o erro, anula-se o vício e tudo volta ao normal de seu transcurso. Talvez se repita tudo de novo.

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A vida passa ...
Os amores ficam ... ou se vão ...
As manhãs sempre renascem ... o sol nunca se apaga ... mas a noite vem ...
O medo da perda não existe ... mas a morte espera ...
A distância se supera ... mas a saldade corroi por dentro ...
Tristeza ... solidão ... angústia ...
Nada ...
Tudo ...
Uma vez feliz ...
Eternamente feliz ...
E a morte vem ...
Nada ...

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Até que ponto a Internet pode exercer influência sobre a vida social e sentimental das pessoas? Essa é uma questão que pode ocupar espaço na mídia e nas discussões do dia-a-dia.

A popularização dos micro-computadores e a facilidade econômica de se ter acesso à Internet fez com que esse importante veículo de comunicação se tornasse um instrumento importante para a manutenção e criação de relacionamentos, que vão desde trocas de idéias sobre a que horas ficará marcada a partida de futebol até conversas duradouras, de horas a fio sobre o que se passa no coração de dois “namorados virtuais”.

Para atender a essa demanda de “consumidores” virtuais, nos últimos anos duas interfaces têm se destacado nesse ramo: o Orkut e o MSN. Para quem não conhece – embora seja difícil você que está lendo esse texto nesse exato momento ao menos nunca ter ouvido falar – o primeiro se trata de uma página de comunidades de amigos virtuais, onde a pessoa seleciona grupos de indivíduos que supostamente fariam parte de seu círculo de amizades, ou ainda, para os mais vaidosos, somam-se muitas vezes rostos até mesmo desconhecidos, para somar um número e deixar claro a todos que por ali passam que a gama de conhecidos é grande.

O segundo (MSN) integra os internaltas em tempo real, seja por meio da escrita, voz ou imagem. Pode ser visto como uma ferramenta importante, a ponto de ter se tornado, assim como o Orkut, parte da rotina daqueles que estão conectados à rede mundial de computadores.

Tendo em vista essa forma fácil – e, sobretudo de baixo custo – de interação entre indivíduos, muitas vezes, o que parece impossível pode acontecer: Emoções nascidas de um mundo virtual podem se tornar reais. Muitos foram os casos relatados até hoje de casais que tiveram seu primeiro contato através da Internet.

Nesse ambiente onde o irreal torna-se real e vice versa já aconteceu de tudo. Não raramente acompanha-se pelos informativos testemunhos daqueles que se deram mal por confiarem em seus “casos” virtuais. Também já houve aqueles que sem dúvida têm boas histórias pra contar.

As novas tecnologias estão se inovando a cada dia para se consolidarem junto as pessoas. Cada passo que for dado em benefício de cada ser humano é bem vindo. É importante, no entanto, ficar sempre alerta e saber distinguir ate que ponto tal “coisa” pode ser um benefício. Enquanto as páginas virtuais existirem de forma a socializar os relacionamentos e contribuírem para o crescimento e amadurecimento das pessoas, façamos com que elas continuem sendo uma presença viva e constante na vida de cada um.

* A professora Lucia Santaella, doutora em semiótica, define o termo interface como uma “conexão humana com as máquinas e mesmo à entrada humana em um ciberespaço que se autocontém”. Segundo ela uma interface acontece quando duas ou mais fontes de informação se encontram face a face, mesmo que seja o encontro da face de uma pessoa com a face de uma tela.

Fonte: Isaias Silva Pinto - Acima

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"Muitas pessoas procuram livros de auto-ajuda para se verem livres dos problemas que afetam a vida cotidiana. Pesquisas mostram que a cada quatro livros vendidos no Brasil, três deles são de auto-ajuda. A educação e formação intelectual também fazem parte dos meios necessários para se chegar a fins diversos. No mundo corporativo não basta apenas ter esperança para entrar no mercado de trabalho, mas é necessário também saber se esperança se escreve com 'ç' ou 's'"

A forma com que um candidato apresenta seu currículo tem muito a ver com o resultado de uma possível contratação. É importante ter em mente os objetivos a serem alcançados e refleti-los no currículo de forma sintética e precisa , como explica a gerente RH de uma empresa de informática conceituada no mercado, Elaine Rodrigues. "Muitas pessoas pensam que, pelo fato de o currículo ter muitas páginas, a contratação ficará mais fácil ou garantida. Isso não é verdade, pois quanto mais resumido a pessoa conseguir deixar seu currículo, mais fácil será de passar em um primeiro processo de seleção", diz.

Um outro fator a ser levado em conta na hora da elaboração do currículo é o cuidado com os erros de português. A redação faz parte do processo de seleção de várias empresas. Na maioria dos casos, o primeiro parágrafo já decide se será dada continuidade à leitura do currículo e por conseqüência ao processo de seleção. "Muitas empresas eliminam no primeiro momento a chance de contratação simplesmente por encontrar erros de português no currículo", confirma.

Não basta contratar uma pessoa que revise o currículo; é preciso estar bem pois em na maioria das empresas a redação faz parte dos testes de admissão, e na hora da prova não será possível contratar um revisor.Os candidatos a vagas de emprego devem estar atentos não somente à redação e revisão dos currículos, mas qual é a situação atual que se encontram no que diz respeito à língua portuguesa.

No passado, o fundamental de um currículo era a aparência. Usava-se papel com gramatura e cor diferentes, para diferenciá-lo dos demais documentos. Hoje em dia, isso já não é mais necessário. O mercado de trabalho se modernizou, e junto com as mudanças, as formas de empregar pessoas também mudaram.

Fernando Dias, estudante universitário, tomou todos os cuidados na elaboração de seu currículo, mas não foi contratado pela empresa em que almejava trabalhar. "Acho que deveria ter estudado mais para fazer a prova. O que levou a empresa a me chamar para fazer a entrevista, certamente, foi o meu currículo, mas eu não estava preparado para a prova", considera.

Max Geringher, consultor de empresas, especialista em Marketing e colunista das Rádio CBN e revista Época, explica que o currículo pode ser entregue às empresas de várias formas, mas é importante que o candidato tenha feito contato prévio com a organização. "A pessoa a quem o currículo será entregue ou enviado deve conhecer o dono do currículo, já deve ter existido um contato e a concordância em receber o currículo".

Fonte: Isaias Silva Pinto - Acima

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A atitude da empresa perante a sociedade

Um dos maiores dilemas éticos que envolvem as relações entre comunicação e responsabilidade social corporativa é a verdadeira motivação que move as empresas na direção da responsabilidade social.

"Existem empresas que só divulgam sua marca naquele determinado momento, ou seja, quando esta para lançar algo e a responsabilidade social ajuda no crescimento da empresa e o público pode saber de uma ação voluntária que esta realizada". Argumentou o diretor de marketing da rede de supermercados Atlas, que desenvolve um trabalho social junto a uma creche no subúrbio do Rio de janeiro.

A responsabilidade social corporativa diz respeito à atitude da empresa perante sociedade. Portanto a responsabilidade social não existe por si só, ela apenas pressupõe a existência do outro, mas também regula as relações da empresa o seu público e seus funcionários.

Para o diretor da malharia Mena Franklin Macedo que há dois anos promove trabalhos sociais com escolas públicas oferecendo curso de corte e costura com seus tecidos. Diz que: "É de grande importância estabelecer um lado de responsabilidade social, pois ajuda muito nos negócios da empresa e a imagem melhora também. E o melhor é poder estar ajudando ao próximo, uma preocupação que muitos empresários deveriam ter mais".

Ao incorporarem a responsabilidade social Corporativa, as empresas além de proporcionar diversos benefícios para a sociedade como um todo, podem gerar inúmeros benefícios para si mesma.

Conclui-se que o exercício da comunicação e da responsabilidade social não está restrito aos gestores desses processos, pois esses temas são estratégicos e transversais na vida das empresas. Idealmente, todos os colaboradores devem estar preparados para atuar como porta-vozes da organização, mesmo que eles não tenham autorização formal para falar em nome da empresa.

Portanto, as empresas devem se ocupar não só da construção da imagem, mas cuidar principalmente da reputação delas, pois é isso que de fato faz a diferença na hora em que o cliente ou consumidor tiver de optar por esta ou aquela marca.

Fonte: Arnaldo, Isaias, Natália & Priscila - Acima

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Depois de um ano após a realização do primeiro referendo sobre a comercialização de armas e munições no país, a opinião das pessoas é de que nada mudou em relação ao combate à violência, e muito disso se deve ao fato da triste vitória do "não"

Há exatamente um ano, vários formadores de opinião, presentes na sociedade, se manifestaram a respeito do referendo sobre a comercialização de armas e munições no Brasil. Pela primeira vez, o país se utilizou de um referendo para questionar a população se era conveniente ou não comercializar armas de fogo e munições.

Os referendos são vistos como uma forma democrática que precede uma decisão a ser tomada pelos governantes. Caso mais da metade da população tivesse decidido pelo "sim" à proibição, estaria vetada a comercialização de munições e armas de fogo em todo o território nacional, o que seria um grande passo rumo ao combate à violência e às mortes por armas de fogo.

No Brasil, mais de 95 milhões de pessoas votaram no referendo. Uma parcela significativa, a maioria, de aproximadamente 60 milhões de eleitores acreditaram que proibir o comércio de armas e munições não iria diminuir as mortes ocasionadas pelas tais, e votaram "não" à proibição. Uma parcela inferior depositou seu voto acreditando que uma menor circulação de armas diminuiria a violência, e optaram pelo "sim", um montante de aproximadamente 35 milhões de cidadãos brasileiros. Todos esses números refletem um posicionamento nacional, tendo como resultado final a opção feita pela maioria, como em qualquer democracia.

Para se ter uma idéia, países como o Japão já implantaram a proibição do comércio de armas de fogo, obtendo resultados satisfatórios. O voto a favor da proibição poderia ter sido um grande passo rumo à construção de um país mais seguro para se viver, pois as armas legais que são roubadas vão parar nas mãos de bandidos, potencializando suas ações criminosas em meio à sociedade.

Durante a campanha que orientava - ou desorientava - a população sobre o referendo, muitas pessoas afirmavam que, se no referendo o "sim" fosse vencedor, não iria diminuir a violência nem aumentar a qualidade de vida e de segurança no país. Essas pessoas acreditavam e defendiam a idéia de que tal referendo era uma perda de tempo. Os que pensavam dessa forma, no entanto, tinham pouca sensibilidade para com a coletividade, limitando-se apenas a defender seus interesses particulares.

Recorrendo às estatísticas, conclui-se que as armas de fogo são um mal presente na sociedade moderna. A cada quatro pessoas vítimas de tais armas - particularmente as atingidas por balas perdidas -, três delas morrem ou têm sua saúde seriamente comprometida para o resto da vida. Se a maioria tivesse votado "sim" no referendo, poderiam ter contribuído para a queda dessas estatísticas alarmantes.

É de acreditar que muitas pessoas que possuíam armas legalizadas e temiam perdê-las tenham votado no "não". Faltou informação. Quem já possuía arma legalizada não iria perdê-la, e quem não tinha, mas podia provar que necessitava ter, também poderia adquirir. Outro motivo da vitória do não foi a falácia de que os governantes estariam favorecendo os bandidos, retirando o direito dos cidadãos e cidadãs, de legítima defesa. O que espanta é que, a pessoa de bem seria incapaz, salvo raríssimas exceções, de se defender sem colocar em risco a própria vida, pois os criminosos são frios e destemidos naquilo que fazem. Já estão habituados ao crime e sabem muito bem utilizar com precisão sua principal ferramenta: a arma de fogo.

Várias instituições se posicionaram na época do referendo. O Brasil é o maior país católico do mundo. A Igreja Católica e várias outras instituições religiosas optaram em defender o voto em favor "sim". O que espanta, e ao mesmo tempo entristece, é que a Igreja é formada por cristãos, por pessoas que, ao menos na teoria, querem a paz. E ter uma arma, mesmo que para prevenir-se de alguma eventualidade, não é promover a paz. Se ninguém tivesse armas, o mundo seria melhor. E isso fica claro nos próprios ensinamentos bíblicos. Aí é possível constatar que, antes de sua morte, no Monte das Oliveiras, Jesus ordenou aos seus discípulos que guardassem as espadas, mesmo sendo elas naquele momento instrumentos de defesa (cf. Lc 22,47-51). A passagem não nos ensina a alimentar a covardia, mas sim agir com prudência.

Mesmo com a vitória do "não", as várias condições e ocasiões nos impulsionam a não continuar medindo esforços para combater a violência. O Estatuto do desarmamento continua ao alcance de todos, e cabe a cada um de nós cobrar para que nossos governantes o tenha como uma das prioridades, sobretudo nesse período eleitoral, onde várias promessas são feitas. "É preciso insistir na tese de que, em uma sociedade moderna, as diferenças entre as pessoas não são resolvidas à bala, mas por meio da razão e das instâncias regulares de intermediação de conflitos".

Outubro de 2006 - Isaias Silva Pinto - I - Jornalismo

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Em quatro anos de faculdade de jornalismo uma das mais pertinentes lições dos saudosos professores é o valor ético da fidelidade ao fato, da busca da polissemia das versões, do valor da verdade, do debate e da dialética pública. Na prática também isso é um desafio constante para o exercício do jornalismo. Esse desafio é presente, dado que atualmente a práxis jornalística nos leva a questionar todas as lições universitárias, a forma e também a práxis do serviço de informação e de opinião. Devemos questionar a ética do jornalista e cobrar dele os valores universais e sem distinção de sua profissão, lembrando Cláudio Abramo e a "Ética do carpinteiro".

No contexto da política atual, ao lermos, escutarmos e vermos as notícias, as manchetes, os títulos dos grandes meios de comunicação, percebemos uma inversão drástica e brusca da ética, quando ela não é substituída pela moral efêmera: esta moral interesseira, construída não para ser valor de uma comunidade, mas para determinar um "julgamento moral", segundo critérios obsequiosos da elite burguesa de nosso país. Daí, a notícia e sua transmissão deixam de ser frutos de uma fidelidade factual e contextual (busca pela verdade do fato no debate das várias versões, a dialética), passando a ser elaborada segundo critérios políticos, ideológicos e tendenciosos de algumas personagens típicas de filmes sobre conspiração. O que deveria ser fruto do conflito de interesses, gerando debate, sofisticação democrática e diversificação de idéias, torna-se uma visão unívoca, parcial e antitética aos princípios do jornalismo.

O jornalismo, então, fica a mercê das forças detentoras do poder, a elite burguesa do Brasil que utiliza da mídia como instrumento poderoso de manipulação e alienação. E esse mecanismo se autodenomina "opinião pública", não passando de uma "opinião privada" ou um conjunto de "opiniões privadas" com uma força impressionante, um poder quase total, que pode influenciar o mais desplugado dos brasileiros. A opinião dos grupinhos privados transforma sua versão dos fatos em verum ipsum factum.

Olhemos, vejamos o tratamento que os fatos receberam por parte do jornalismo marrom com seus usos de chavões em relação ao presidente Lula e ao seu governo. Não distinguimos mais a verdade factual do discurso dos "podres poderes", lembrando o jovem Caetano. A notícia se esvaziou, perdeu profundidade, acareação, contexto, historicidade. O resultado, um segundo turno desnecessário, forçado, um golpe à democracia, um desrespeito ao povo brasileiro e à sua vontade de eleger Lula para mais um mandato.

A partir dos acontecimentos às vésperas do primeiro de outubro, percebemos que o jornalismo procedeu não segundo uma ética, mas de acordo com uma jogada moralista da elite tradicionalmente golpista que detém os meios de produção e a formação espiritual de nosso país. Esta moral é auto-sustentada pela sua intenção. E sua intenção é o projeto secular de manter o poder, a educação, a renda nas mãos de uns poucos, hoje simbolizada pela mancebia PSDB-PFL. Eles tentam vender seu produto, usando da informação. Por conseqüência, isso gera graves danos ao debate público, desinformando a população dos interesses escusos, obscuros e grotescos daqueles golpistas que mandam e desmandam nos meios de comunicação social.

E batemos palmas para o jornalismo marrom, que conseguiu transformar a política em espetáculo, em consenso irresponsável. Uma verdadeira e maquiavélica atuação moralista e niilista, pois parecem que esqueceram lá, na faculdade, a sábia ética. E como salienta o filósofo francês contemporâneo, André Comte-Sponville, é a luta política, na qual se usa de todas as inescrupulosas armas. Faz-se o possível e o impossível pelo poder e assim é gerado e apresentado o discurso mediante uma camuflagem de imparcialidade, de democracia, de fidelidade factual.

Desse modo, como esclarece o filólogo russo, Mikhail Bakhtin, todo discurso nasce de um contexto ideologicamente intencional. No Brasil isso é verificável pelo discurso dos donos das mídias tradutores de seus apetites, seus desejos, suas vontades. O discurso tem segundas, terceiras intenções obscuras, escusas e politicamente golpistas. O discurso jornalístico dos grandes meios de comunicação é o discurso ideológico da elite dominante. Duplo reflexo cujo objetivo principal é informar segundo os critérios de manipulação, da mentira antitética aos princípios jornalísticos. E poucos profissionais se revoltam contra isso, pois muitos, se não a imensa maioria, torna-se porta-voz dos projetos de seus patrões.

O que fazer? Muita coisa. A mídia alternativa, o jornalismo, mesmo fraco, mas alternativo, crítico, analítico, ético e competente. E sem dúvida nenhuma, devem-se mostrar os resultados concretos e ideológicos do governo Lula. Mostrar os fatos que ultrapassam os projetos elitistas dos governos anteriores e o discurso neoliberal da direita. Ou seja, olhar e interpretar o jornalismo marrom, criticá-lo e combatê-lo sem cessar. Propor enunciados comprometidos com a ética, com o debate. Orientar a dialética política de nosso país. E mais urgentemente, fortalecer os princípios jornalísticos contra a moral efêmera, claramente imoral.

Fonte: Moisés Viana - Jornalista

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Jornalismo fiteiro em versão moderna

O Fantástico de domingo (17/9) não contou toda a história. A verdade é que quando parecia que o "jornalismo fiteiro" já era coisa do passado, o "jornalismo fiteiro" volta com toda a força num momento crucial, a 15 dias das eleições. Só que desta vez não é uma fita, é um DVD. E o veículo suspeito é a IstoÉ, que já andou seriamente enrolada com outros vídeos, gravações, falsificações de pesquisas e dossiês secretos.

IstoÉ antecipou a edição que deveria estar pronta no sábado com uma reportagem de capa implicando o candidato José Serra com a máfia dos sanguessugas. Na sexta-feira (15/9), excepcionalmente, a edição da revista já estava pronta e o candidato Orestes Quércia já mostrava a capa de IstoÉ na sua propaganda eleitoral. E Orestes Quércia, como se sabe, tem históricas relações com os proprietários da IstoÉ.

A matéria não tem investigação nem questionamentos - é o resumo de um dossiê. Acontece que na naquela hora a Polícia Federal prendeu em São Paulo dois militantes do PT com quase 2 milhões de reais em dinheiro vivo que seriam pagos aos mafiosos das ambulâncias pelo fornecimento do DVD. Parte deste montante, segundo a PF, veio do PT e a outra parte veio de uma revista. Como a IstoÉ está em situação pré-falimentar, não é difícil adivinhar de onde veio a grana que complementaria a parcela do PT. Orestes Quércia com a palavra.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

Interessante é a cobertura que a Rede Globo vem fazendo do caso. Parece que o prazer de fazer jornalismo aumenta em determinadas ocasioes e circunstâncias. Porém, à moda do "jornalismo fiteiro", sempre mencionado pelo Dines. Para terça-feira, "uma boa idéia".

Isaias Silva Pinto

Nota do OI

Caro Isaias, o OI na TV mudou a pauta desta terça e vai tratar justamente deste assunto.

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Lula e a liberdade de imprensa

O presidente Lula declarou quinta-feira (14/9) ao Jornal da Band que sua eleição para a presidência da República só foi possível por conta da liberdade da imprensa. E reconheceu que a proposta de um Conselho Federal de Jornalismo não foi adiante porque o governo não a havia estudado suficientemente.

O presidente está sendo contraditório: a liberdade de imprensa existe de facto desde o fim da ditadura em 1985 e de jure a partir da aprovação da nova Constituição, em 1988. Se em 2002 o presidente Lula foi eleito por conta da liberdade reinante, por que razão dois anos depois, em 2004, tentou controlar esta liberdade com a criação de uma entidade suspeitíssima como o tal Conselho de Jornalismo?

E se no Jornal da Band o presidente constatou que a liberdade da imprensa é um fato irreversível, por que razão certos setores próximos, muito próximos do governo insistem num projeto de democratização da comunicação logo depois das eleições?

Com essas coisas não se brinca.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

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Jovens relatam o desafio da primeira entrevista de emprego

Quando chega a hora da primeira entrevista, bate aquele friozinho na barriga, o currículo na mão e uma boa imagem já podem ser bons indícios para uma boa entrevista de emprego. Este tema foi debatido 10º mostra PUC, feira de estágios na PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, realizada entre os dias 22 a 25 de agosto de 2006.

Jovens que estiveram na feira temem a insegurança da primeira entrevista, os sintomas são fáceis de ser caracterizados, e ainda, podem surgir de várias formas, tais como mãos geladas, calafrios, insegurança e irritabilidade. O medo pode ser muito grande, e a ajuda de profissionais da instituição de ensino, ou até mesmo dos pais, valem muito na hora de encarar uma entrevista de estágio.


A opinião dos jovens

Camila Maia, de 20 anos estudante de jornalismo, não está estagiando, mas deixou currículos em algumas empresas na área de jornalismo. Camila sabe que o momento da entrevista é muito importantes, mas teme que seu nervosismo atrapalhe na hora.

"Estou procurando estágio, mas tenho medo da entrevista, não sei como a pessoa vai me receber, se já serei contrata, não sei se minha imagem está boa. Tenho muito medo é como se todas as minhas chances estivessem naquele momento".

Karla Muye, 23 anos, estudante de administração também está à procura de um estágio. Ela sabe que a concorrência na sua área é muito grande e com isso a insegurança aumenta.

"Eu sinto um frio nas mãos, uma sensação estranha de que serei julgada para conseguir um lugar em uma empresa. Já fui em duas entrevistas e não consegui me sair bem, por causa da minha falta de segurança. Lembro até hoje que saí da entrevista muito triste".

Mas para Yuri Martins de 24 anos estudante de Publicidade e Propaganda é diferente. Yuri está trabalhando em uma conceituada agência e revelou que temeu a primeira entrevista e que precisou de ajuda para perder o medo e testar sua capacidade.

"Agora estou trabalhando, mas sempre sofri. É como uma síndrome o que eu tinha. Não contava para ninguém. Eu deixava o currículo lá na agência e rezava para não ser chamado. Quando isso me acontecia, tremia, suava, bebia muita água e sentia vergonha de uma coisa tão boba. Depois que perdi duas oportunidades eu decidi procurar uma ajuda profissional e consegui entender o que estava acontecendo comigo".


O que dizem os especialistas

Em palestram, o psicólogo José Ramalho de Souza, durante um evento na Puc, com o tema: o primeiro emprego dos jovens, relatou todo esse processo do temor da primeira entrevista. Ele garante que não é nenhuma doença. Apenas são sintomas normais em um ser humano. Não se pode deixar que esses sintomas se tornem uma rotina na vida dos jovens.

"O jovem ter que ter segurança na hora da entrevista. Perceber que se foi chamado é porque tem algum potencial, e que aquele momento é só dele e não deve temer nada. Esses sintomas não são nada de grave, São apenas problemas que somente o jovem pode se curar. Ele tem que tentar ter confiança nele mesmo. É claro que têm casos que ajuda de um profissional e até mesmo dos pais podem ser favoráveis".

Ele define três pontos fundamentais para este profissional do futuro: "o desafio que estimula as pessoas a lutar por alguma coisa, o resultado que dá a sensação de vitória e autoconfiança para continuar adiante e a auto-responsabilidade, ou seja, a capacidade de corrigir erros cometidos e comemorar vitórias".

Carlos Macedo, chefe de recursos humanos de uma empresa de telecomunicações faz um alerta sobre este desafio, e de como é importante um bom currículo. "Em decorrência das inúmeras vantagens tecnológicas do século XXI, até mesmo o tradicional currículo profissional terá que ser revisto. O velho relatório de experiências e atividade passará a funcionar como um verdadeiro instrumento de publicidade, vendendo para quem lê todas as vantagens competitivas e pontos fortes do candidato".

Procurar aceitar aquela dificuldade em determinados momentos pode ajudar muito em uma entrevista para uma possível contratação.Temer é uma reação humana natural por instinto de sobrevivência do inesperado ou desconhecido.

Fonte: Conheça a Mostra PUC - AQUI

Fonte: Arnaldo, Isaias, Natália & Priscila - Acima

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Antigamente, Deus manifestou-se por
meio de contextos culturais e linguagens diferentes; hoje,
esse mesmo Deus ocupa os novos
espaços das redes comunicacionais
que nossa cultura oferece.

O blog é um diário virtual ou digital na internet. Nele se publicam histórias, idéias, comentários e imagens que podem ser vistos por amigos e leitores com os quais se interage ou por qualquer pessoa que esteja navegando.

Nestes dias, tive a oportunidade de acessar na internet alguns blogs de jovens que, em suas páginas, entre outras coisas, expressam, por meio de mensagens, de palavras e de imagens, tudo o que acontece com eles, como vão moldando a existência e o aprendizado da vida. Nessas páginas, fazem confissões profundas, falam dos questionamentos que levam na alma, manifestam quais são suas buscas, interesses, dores, sonhos, fantasias e utopias que os mantêm no caminho da vida.

Espantou-me o fato de abrirem sua intimidade com muita liberdade, sinceridade e capacidade de expor e comunicar, numa linguagem própria, suas impressões, as vivências pessoais mais íntimas e também sua visão de mundo.

Teobaldo de Souza Andrade afirma que "comunicação não é simplesmente informação, pois ela é muito mais ampla, abrangendo todos os contatos formais ou informais que nos transmitem qualquer espécie de experiência exterior, revigorando ou alterando o nosso comportamento. Enfim, tudo o que se vê, se ouve, se sente e se prova é comunicação. A vida social não poderia existir se os homens não pudessem comunicar-se entre si, partilhar as suas experiências e trocar idéias acerca de assuntos de interesse comum".No profundo de toda essa expressão de comunicação está a necessidade de abrir uma janela interior, deixando fluir a trama pessoal que, no fundo, descansa numa palavra resumidora dessa busca: o amor.

Imagino que Deus tenha um coração jovem, que ama sem condições, e, embora não necessite de blogs para comunicar-se, pode ter espaço nessa experiência, ajudando cada navegante a descobrir o sentido profundo da existência humana, algo especialmente transformador quando olhado segundo a ótica da fé. Talvez se trate de buscas pessoais de novos caminhos, como resposta a uma cultura em que o produto e a mercadoria passaram a ser fonte de valor humano.

No passado, Deus manifestou-se por meio dos contextos culturais e linguagens da época; hoje, ele ocupa os novos espaços das redes comunicacionais que nossa cultura nos oferece para iniciarmos novas relações e não perdermos a capacidade de amar e de solidarizar-nos com nosso próximo, a fim de juntos sonhar, criar, viver...

Domenico de Masi, ao falar dos valores que devem inspirar a educação hoje, põe o humanismo em primeiro lugar, dizendo que "cada um de nós é, ao mesmo tempo, uma escultura e seu escultor. A natureza deu a cada jovem uma diferente matéria-prima para modelar: a um deu o mármore, a outro o bronze, a um outro, ainda, a argila [...] ser homens (ou mulheres) é uma coisa fundamental no universo".

Enfim, onde há comunicação humana, incluindo aí os blogs, há espaço para o amor, para as relações e para a transcendência. Certamente a mídia também produz cultura que engrandece nosso espírito e nossa consciência.

Fonte: Mário N. López

I - Jornalismo


Por ser decisiva, esta semana é fundamental para que uma aspiração de mais de 20 anos dos jornalistas brasileiros se consolide. O PLC 79/2004, que atualiza a regulamentação da categoria, traz em seu conteúdo a perspectiva de maior valorização e organização da categoria. Por isso a FENAJ convoca os profissionais e suas entidades a intensificarem o envio de mensagens ao presidente Lula e outras autoridades do governo federal, bem como a realização de mobilizações regionais pela sanção do projeto.

A reação patronal contrária ao PLC 79/04 é expressão cabal de que não lhes interessa ter a profissão regulamentada, pois assim terão mais dificuldades de explorar os jornalistas e impor suas vontades. Este projeto inclui, na legislação já existente, funções privativas de jornalistas como a de assessoria de imprensa e corrige distorções que vêm prejudicando funções como as de repórter fotográfico, repórter cinematográfico, diagramador e ilustrador, que por não terem a exigência de curso de nível superior, sempre colocaram tais profissionais em condições de trabalho e salários mais precários. Além do envio de mensagens às autoridades federais, a FENAJ orienta os Sindicatos, entidades do campo do Jornalismo, profissionais, professores e estudantes a intensificarem atividades públicas de denúncia da manipulação de informações por parte dos grandes meios de comunicação e seus verdadeiros interesses quanto a este projeto, bem como de exigência da sanção do projeto que atualiza nossa regulamentação profissional.

Uma das tentativas de desqualificação do projeto mais absurdas é a identificação do signatário, o deputado Pastor Amarildo (PSC/TO), como um dos acusados de envolvimento com a chamada "Máfia dos Sanguessugas". Primeiro é preciso esclarecer que na época da apresentação do projeto tais denúncias não existiam. E em segundo lugar, o deputado é que procurou a FENAJ, ainda na gestão da ex-presidente da Federação, Beth Costa, propondo-se a reapresentar o projeto originalmente encaminhado em 1989 pela deputada Cristina Tavares (PMDB/PE) - já falecida - e posteriormente reapresentado pelo deputado Marcelo Barbieri (PMDB/SP), em 1995.

Seguem, abaixo, os endereços eletrônicos e o texto sugerido para a mensagem pela sanção do projeto.

casacivil@planalto.gov.br;
ouvidoria@mte.gov.br;
governo@brasil.gov.br.


Para enviar uma mensagem direta ao Presidente, clic AQUI:

O texto sugerido:

Carta aberta ao Presidente Lula:

Nós, jornalistas brasileiros, solicitamos a imediata sanção do projeto de lei 079/2004, que atualiza as funções privativas dos jornalistas e acaba de ser aprovado no Congresso. Trata-se de uma antiga reivindicação da categoria no sentido de avançar em sua organização e atualizar sua regulamentação profissional. O projeto é resultado de um longo processo de discussão e luta da FENAJ, dos Sindicatos de Jornalistas de todo o país e dos profissionais que se organizam em torno deles. Passou por todas as instâncias de debates e deliberações destas entidades. Também foi democrática e publicamente discutido na Câmara e no Senado, recebendo alterações e emendas dos parlamentares. Por isso, solicitamos a sanção, respeitando a decisão do Congresso e o direito e o anseio de organização de toda uma categoria que tantos serviços tem prestado ao Brasil e seu povo.

Fonte: Boletim Fenaj

I - Jornalismo

Outra entidade de classe se manifestou favorável ao projeto de lei 79/2004, conhecido à boca pequena como "lei Amarildo", que altera o decreto nº 972 de 1969 e que aumenta as atribuições dos jornalistas de 11 para 23. Trata-se da Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos do Rio Janeiro (ARFOC). Seu presidente, Alberto Jacob, conversou com a reportagem de IMPRENSA por telefone nesta quinta-feira (20). Confira a íntegra da entrevista abaixo:

IMPRENSA - Por que vocês apóiam o projeto de lei 79/2004?
Alberto Jacob - Primeiro porque na lei em vigor já estão regulamentadas as profissões de repórter fotográfico e cinematográfico, assim como a de diagramador e ilustrador. O problema é que há um decreto de 1979 (nº 83284) cujo artigo 11 determina que esses quatro profissionais devam se restringir ao exercício apenas dessas profissões. Segundo esse decreto, um repórter fotográfico não poderia escrever uma reportagem. Hoje em dia, todos os veículos de comunicação exigem que esses profissionais tenham o diploma de jornalismo. É uma exigência do próprio mercado, de que o jornalista deva ser "multimídia". Só a formação acadêmica pode proporcionar isso. Nós acreditamos também na necessidade que um repórter fotográfico deva ter de compreender o jornalismo como um todo. A gente discute isso há mais de 10 anos. Hoje em dia é muito fácil tirar registro de repórter fotográfico e cinematográfico. A Delegacia Regional do Trabalho aqui do Rio de Janeiro esteve muito tempo nas mãos do [deputado] Roberto Jefferson. Até aquele bicheiro, o Maninho [Valdomiro Paes Garcia], tinha registro e usou isso para responder processo em liberdade. Não queremos que haja precedente para que qualquer criminoso utilize o registro profissional para obter benesses.

IMPRENSA - Por que, então, o projeto tem sido tão atacado?
Alberto Jacob - Estamos perplexos com isso. Por exemplo, a questão da regulamentação da função de assessor de imprensa. Não existe nenhuma lei que determine que essa profissão seja de exclusividade dos profissionais de Relações Públicas. O que existe é uma auto-resolução do Conselho Federal de Relações Públicas que diz isso, ou seja, não é lei.

IMPRENSA - E sobre a função de comentarista? Segundo editorial da Folha de S.Paulo a nova lei impediria que artigos de colaboradores e até cartas de leitores fossem publicados...
Alberto Jacob - Isso é conversa fiada. O § 3º do artigo 4º versa sobre isso. Comentarista é diferente de colaborador. O primeiro é um jornalista que, especializado em uma área, é contratado para realizar avaliação, comentário ou crônica dentro de sua área. Sobre o colaborador, a nova lei determina a ele um registro especial e classifica: colaborador com registro especial, assim entendido aquele que, sem relação de emprego e prestando serviço de natureza eventual, oferece colaboração sob forma técnica, científica ou cultural, exclusivamente em forma de análise e relacionados com a sua especialização, sendo obrigatória a divulgação do nome e qualificação do autor.

IMPRENSA - Há outras funções que também despertam polêmica, como produtor, diagramador e arquivista/pesquisador...
Alberto Jacob - Arquivista e pesquisador não sei porque existe a polêmica, porque, pelo decreto em vigor, essa função já é de exclusividade do jornalista. Ilustrador, diagramador, repórter fotográfico e cinematográfico também. Um diagramador, ao contrário da visão dos patrões, não é um mero "empacotador de notícias". É um profissional que deve ter noções de estética, hierarquização de imagens etc. Sobre a função de produtor, que as televisões devem estar preocupadas, a lei se refere apenas àquele que trabalha nas redações de telejornais, que pré-apura as reportagens para o repórter de TV. O produtor radialista e o de telenovela, por exemplo, são atividades do entretenimento e, sobre elas, a lei não se refere.

IMPRENSA - Qual a intenção das empresas jornalísticas de vetar essa lei?
Alberto Jacob - Obviamente elas não querem a regulamentação da profissão. Assim, qualquer um pode chegar na redação e escrever qualquer coisa, supostamente em nome da liberdade de expressão.

Fonte: James Cimino - Portal IMPRENSA

I - Jornalismo


O Projeto de Lei Complementar (PLC) 79/04, que atualiza a regulamentação profissional dos Jornalistas, foi aprovado pelo Senado no dia 4 de julho. Esta vitória foi comemorada na abertura do IV Encontro Nacional de Jornalistas de Imagem, nesta quarta-feira (5/7), em Ouro Preto (MG). O projeto segue, agora, para sanção do presidente da República.

Nesta nova atualização, funções anteriormente não definidas claramente, como assessor de imprensa e aquelas surgidas a partir de novas tecnologias, como a Internet, agora são contempladas.

Originado de projeto apresentado na Câmara pelo deputado Pastor Amarildo (PSB/TO), a pedido da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o PLC 79/04 atualiza o Decreto-Lei 972, de 1969, que regulamentou a profissão de Jornalista. Ele Introduz novas funções e prevê, pela primeira vez, a exigência de diploma de curso superior de Jornalismo também para o exercício das funções específicas de repórter fotográfico, repórter cinematográfico, diagramador e ilustrador.

"Esta exigência vinha sendo reivindicada pelo segmento de Jornalismo de Imagem há vários anos, conta o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. A aprovação deste projeto está sendo muito comemorada por nossa categoria, pois reforça a concepção do Jornalismo como profissão que exige formação específica em nível superior, destacou Murillo.

As novas regras, porém, não anulam o direito adquirido por profissionais que já atuam no Jornalismo de Imagem. Quem já exerce a profissão nestas funções e tem o registro no Ministério do Trabalho mantém seu direito de exercer a profissão destaca o presidente da FENAJ, registrando o reconhecimento da entidade pela importante contribuição dada à categoria pelo deputado Pastor Amarildo, que apresentou na Câmara o projeto original, e pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), relator da matéria no Senado.

Fonte: Boletim Fenaj

I - Jornalismo

Estagiário hoje, desempregado amanhã

Este texto faz considerações sobre a proposta de possível regulamentação experimental do estágio nos veículos de comunicação, a ser debatida no Congresso Nacional dos Jornalistas em Ouro Preto (MG), em julho. Não podemos admitir que o descumprimento da lei, no caso do estágio, sirva de argumento para que ele seja implantado nos veículos de comunicação, mesmo em caráter experimental. Seria o mesmo que admitir e regularizar o caixa dois e outros delitos pelo simples fato de serem praticados sem controle ao longo dos anos.

A maioria dos sindicatos, as delegacias regionais de Trabalho, veículos e escolas de comunicação está em condições de administrar o estágio regularizado em jornais, rádio e televisão? Esta deve ser a questão básica. Pode ser que alguns raríssimos estados estejam em condições, mas tenho certeza de que a maioria não está. A realidade é que a maioria dos sindicatos, por exemplo, mal tem condições de administrar seu dia-a-dia, pelos mais diversos motivos. E porteira em que passa um boi passa uma boiada.

A Proposta de Padronização Nacional dos Projetos-Piloto de Estágio Acadêmico em Jornalismo, que está sendo elaborada por um grupo de trabalho da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), parece bem-intencionada, porém, ingênua. Pelas suas normas, entre outras coisas, o estagiário não poderia cumprir carga horária aos sábados, domingos e feriados (como controlar isso?); o estagiário terá vale-transporte e também seguro de vida e de acidentes - em Minas, nosso dissídio segue na Justiça e uma das questões que estão pegando é o tíquete-refeição aprovado pelos juízes do Tribunal Regional do Trabalho. Imagine-se seguro de vida para estagiário?. Como se vê, é uma proposta digna de Primeiro Mundo - que infelizmente não somos. É mais fácil acreditar em Papai Noel do que botar fé no cumprimento de tais normas em nossas redações.

Infelizmente, nossa realidade é outra, e quem está inserido no mercado de trabalho nas redações sabe muito bem disso. Colocar estudante na maioria dos veículos é como deixar raposa tomando conta de coelho. Que os cursos de Comunicação tenham bons jornais-laboratório, televisões-laboratório e rádios-laboratório para que os estudantes possam exercer o jornalismo e sejam capacitados para entrar no mercado de trabalho sem aviltá-lo. É uma forma, até, de valorizar os cursos de Comunicação e seus professores.

Dura realidade

Não podemos esquecer que a CLT já prevê um período de três meses para que o candidato a emprego possa se adaptar ou mostrar suas qualidades profissionais. E é isso o que já vem sendo praticado em inúmeras empresas jornalísticas. Ou seja, o recém-formado terá a oportunidade de trabalhar durante este período, mostrar a que veio e se adaptar ao dia-a-dia de trabalho na empresa - para logo depois ser contratado ou não.

A presença do estudante como mão-de-obra barata em veículos de comunicação é uma conseqüência da precarização das relações de trabalho, fruto do modelo neoliberal. Proibido pelo Decreto 82.284/79, o estágio nos veículos de comunicação tem de ser tratado como crime contra a organização do trabalho, previsto pelo Código Penal. Portanto, a frustração do trabalho e a fraude da legislação trabalhista são questões que devem ser denunciadas até à Justiça Federal, à Polícia Federal para as providências cabíveis. Além do Ministério do Trabalho (a CLT prevê punição administrativa), do Ministério Público e da Justiça do Trabalho, que agora ganhou a competência de punir com a aprovação da emenda 45.

Não sejamos ingênuos. A dura realidade é esta: não há como controlar estagiários. Eles são os primeiros a burlar a legislação, geralmente ocupando o lugar de um profissional. E quando ele receber seu diploma estará desempregado, porque haverá outro estagiário ocupando sua vaga. Ou seja, o estagiário de hoje é o desempregado de amanhã.

Fonte: Aloísio Morais Martins - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

A baixo custo, para a plebe, somente folhetins melosos ou jornais sanguinários.

Ainda que os olhos da mídia e de boa parte dos conterrâneos estejam inteiramente voltados para a Copa do Mundo, na Alemanha, os sinais de vida persistem na brava Pindorama. É claro que este humilde cronista não poderia ignorar o mais "espetacular" evento esportivo de todos os tempos, definitivamente marcado pelo verdadeiro tsunami comercial e publicitário que se abateu sobre os nossos "gênios da pelota". As cifras, é claro, são inversamente proporcionais ao número de gols marcados (nas duas primeiras rodadas da primeira fase, a média de 2,34 por jogo só foi superior à da Copa de 1990 na Itália): o solerte Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, que arrecadou 23 milhões de euros em contratos publicitários ao longo de 2005, superou o inglês David Beckham (18 milhões de euros no mesmo período) na lista dos atletas de maior faturamento no planeta-bola. Mas em compensação, a exemplo do outro Ronaldo, à medida que cresce a conta bancária, escasseiam os gols nos gramados...

Artista da bola, o Gaúcho agora faz malabarismos com a propaganda: há 12 produtos na tela com a marca do craque do Barcelona, desde chiclete e picolé até celular e álbum de figurinhas. O capital transnacional, sem sombra de dúvida, fez do futebol sua mais badalada frente de negócios. E se a Copa de 1998 tornou-se uma presa fácil da surda disputa entre Nike e Adidas, a Copa de 2006 decerto há de representar a maior praça de negócios do nosso mundo neoliberalmente globalizado. Só no Brasil, entre anúncios de TV, revista, rádio e jornal, deve-se movimentar R$ 1,893 bilhão! O agudo Dr. Sócrates, um dos três maestros da seleção de Mestre Telê em 1982, não poupou munição contra o vergonhoso processo em curso: "Atletas e anunciantes às vezes exageram no marketing, mas o pior é ter a seleção e os símbolos do país seqüestrados por espertalhões inescrupulosos".

Não faltam espertalhões em Pindorama, é bem verdade. Mas há também muita gente séria nesta República dos Bruzundangas. Vejam o caso da editora paulista Expressão Popular: acaba de lançar uma série de livros dedicados a combativas figuras desta terra, desde o legendário general Abreu Lima, um pernambucano arretado que lutou com Simón Bolívar pela libertação da América Latina, até o notável escritor Lima Barreto, cuja prosa nos desvenda com enorme ironia as terríveis contradições do jovem Brasil republicano. Não obstante a importância dos nomes selecionados (Luiz Carlos Prestes, João Amazonas, Roberto Morena e outros tantos), a coleção intitulada Viva o Povo Brasileiro possui ainda o mérito de estipular como preço de capa para cada exemplar o irrisório e quase surreal valor de R$ 3 (preço de uma cerveja no bar da esquina...).

Dizem que o povo não gosta de ler, mas todos nós sabemos que o principal entrave à leitura é o preço absurdo do livro em nosso país. Convertida em mera mercadoria pela lógica do capital, a boa literatura tornou-se um privilégio das elites "pensantes" de Pindorama. A baixo custo, para a plebe, somente folhetins melosos ou jornais sanguinários. O princípio, aliás, se estende à maioria dos produtos da nossa indústria cultural: discos, revistas etc. Não é à toa que os camelôs vendem a R$ 5 nas esquinas filmes que as grandes cadeias comerciais anunciam a R$ 40. E as transnacionais ainda nos pedem, com imenso cinismo, que combatamos a "pirataria". Felizmente, os editores da Expressão Popular, com a colaboração de vários escritores mais próximos do movimento social, se dispuseram a desafiar essa lógica perversa. O que dirá a "mão invisível do mercado" sobre tão subversiva iniciativa?

Fonte: Luiz Ricardo Leitão - Brasil de Fato

I - Jornalismo

Folha desmascara trambique e ninguém se mexe

É irrelevante, deletéria e falaciosa a disputa para saber qual o governo que mais concessões para rádios e TV distribuiu aos parlamentares. Não importa se o campeão desta modalidade inconstitucional foi FHC ou é Lula. O que importa é a identificação do ilícito e a interrupção imediata deste tipo de cambalacho político.

Da mesma forma, não interessa saber qual foi o governo mais condescendente com o crime organizado. Interessa montar imediatamente uma frente política para enfrentar a insurreição instalada no sistema prisional do país.

Câmara ou Senado não mexerão uma palha para acabar com a calamitosa promiscuidade que converte legisladores (teoricamente, fiscais das concessões) em concessionários de serviços públicos. Como escreveu Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo, 19/6, pág. 2) esta é "uma das formas mais explícitas do atraso institucional brasileiro".

No dia anterior (domingo, 18/6), por intermédio da repórter Elvira Lobato, mesma Folha novamente denunciou o calamitoso conflito de interesses em manchete da primeira página e mais três do noticiário político.

Promiscuidade explícita

Não adianta convocar CPIs, não há deputados íntegros em número suficiente para investigar o abuso dos colegas e mostrar como este tipo de concessão contamina e compromete a mídia brasileira.

O Conselho de Comunicação Social, como órgão auxiliar do Congresso, poderia iniciar o desmonte desta máquina corruptora. Mas o Conselho de Comunicação Social ficou engavetado 12 anos consecutivos porque sua instalação não interessava ao vice-rei José Sarney; e quando o CCS finalmente começou a funcionar, o imortal deu um jeito para colocar na presidência do órgão seu assecla Arnaldo Niskier. Resultado: o Conselho desapareceu do mapa institucional brasileiro apesar de previsto na Constituição.

Este Observatório da Imprensa ofereceu à Procuradoria Geral da República, em outubro de 2005, valiosos subsídios produzidos ao longo de meses de investigações e cruzamento de dados [ver aqui a íntegra da representação, em arquivo PDF, 128 KB]. A PGR acolheu-os, estuda a forma legal para implodir o sistema.

E por que razão o tonitruante Estadão-ão-ão, que se preocupa tanto como a Folha com a questão da mídia eletrônica, não segue a trilha do concorrente? E por que se cala a Associação Nacional de Jornais, que deveria estar na linha de frente desta cruzada para moralizar a concessão de canais de rádios e TV?

Deveria, mas não está. E não está porque grande número de jornais regionais foi beneficiado pelo "mensalão eletrônico" instituído quando José Sarney era o presidente da República e Antonio Carlos Magalhães, seu ministro das Comunicações. Quanto mais parlamentares participarem do trambique das concessões, mais garantida estará a continuidade do sistema. Um jornal provincial só sobrevive se consegue controlar algumas rádios e associar-se a uma repetidora das redes nacionais de TV. Este é segredo da perenidade do sistema.


Não há a menor dúvida: a promiscuidade entre políticos e a comunicação social é uma das expressões mais visíveis da nossa tragédia institucional.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo



O estudante de jornalismo Adriano Moneta, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 1991 apresentou como trabalho de conclusão de curso o livro "A vida real do repórter de televisão". Dentre as várias discussões que o livro apresenta a respeito do papel do repórter de televisão, é possível estudar várias formas de pensamento de repórteres conhecidos nacionalmente.

Ao longo do trabalho, Adriano procura responder a várias questões que são dúvidas da maioria dos estudantes de jornalismo hoje. Com o auxílio de repórteres experientes, Adriano questiona como se dá uma noticia na televisão, como reproduzir um fato na tela encantada, quais os passos para se fazer uma reportagem para um telejornal. A respeito de um molde fixo para se seguir, Adriano diz que não existe uma receita certa e que não há fórmulas na televisão. Sendo assim, sugere que o bom é aprender com os mais velhos.

Adriano inicia a conversa com o jornalista Vinícius Dônola, que logo de saída dá a idéia de que uma reportagem de televisão consiste de vários membros, semelhantemente a um corpo. Para se começar de forma mais adequada, deve-se tentar montar um corpo, iniciando pela cabeça, o tronco e os membros. E ainda, não se esquecer de qual o impacto que essa notícia vai ter. Ter idéia da estrutura da matéria também é importante, segundo o jornalista Brito Júnior.

Isabela Assumpção diz que, diferente do repórter de jornal impresso, o repórter televisivo não se dispõe de um espaço muito grande para que o conteúdo seja explícito. Dessa maneira, cabe ao repórter selecionar aquilo que é mais relevante e que pode dar mais luz à reportagem. Como Isabela, Neide Duarte também vê a importância de se contar a história de forma linear e sintética. Descobrir o fato jornalístico, saber por onde começar, conhecer a estrutura da matéria, selecionar os detalhes importantes e produzir um texto enxuto é a melhor forma de se construir um bom texto para o telejornal. João Carlos Borda, ex-chefe de redação da RBS dá uma orientação aos focas: "fazer o feijão com arroz é a melhor coisa. Não inventa, não faz passagem mirabolante, não inventa!" Como explica Sandra Moreyra, a flexibilidade no jornalismo impresso é muito maior. Pode-se trabalhar sem imagens em algumas vezes, o que no jornalismo televisivo é quase impossível. Em televisão tem que mostrar, diz Roberto Burnier.

Maurício Kubrusly e Pedro Bial, grandes jornalistas da Rede Globo dizem que, a grande dificuldade na televisão é que nós podemos ver muitas coisas que a câmera não vê, e vice versa. E o essencial na televisão é a imagem. O que reforça André Azevedo, "a maior dificuldade não é o formato, mas o conteúdo". Na TV o que dá sustância à matéria é a imagem. Há casos em que realmente não é possível apresentar uma imagem. Quando isso acontece, é possível fazer um stand-up, que é uma gravação onde somente o repórter aparece. Pode-se conseguir um mínimo de imagem, o repórter faz uma passagem e uma pequena entrevista. Sugestões de José Burnier e Isabela Assumpção.

Quando o assunto se trata de como fazer anotações, as sugestões são interessantes. Neide Duarte, que diz não gostar de perder nada, prefere ficar prestando atenção no que está sendo falado. "Pode surgir alguma frase maravilhosa". João Borda faz uma triagem no que está sendo dito, Dônola anota uma palavra chave por frase que está sendo dita pelo entrevistado e Burnier escreve atrás da pauta.

A melhor maneira de conseguir entrevistas é se tornar uma pessoa simples no momento do trabalho. A maioria dos repórteres utilizados como fonte na elaboração do trabalho vê como ponto importante ter um bom relacionamento com o entrevistado. É essencial não se mostrar mais importante ou inteligente que ele. Quando se faz questões simples e agradáveis o clima é tranqüilo. Quando se entrevista políticos ou pessoas arrogantes o repórter deve estar consciente e preparado para ser enérgico caso seja necessário. Em casos em que o entrevistado possa correr risco de vida por dar uma entrevista, o jornalista deve mostrar solidariedade com a pessoa, e ainda, envolver a colaboração de toda a equipe de produção, de forma a fazer com que o entrevistado se sinta tranqüilo.

Como foi dito no começo desse trabalho, para se fazer telejornalismo não existe uma fórmula pronta. Dessa forma, é muito interessante para quem está começando tentar aprender com os mais velhos, que sempre tem boas instruções a dar. O jornalista Adriano Moneta no seu trabalho conseguiu passar de forma empolgante a idéia de que se pode aprender muito com os mais velhos. Querendo aceitar ou não, é a realidade. Não é por isso que existem os professores?

Fonte: Isaias Silva Pinto - I - Jornalismo

I - Jornalismo



O colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, entrou com processo contra o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva exigindo que Lula explique a quem se referiu quando afirmou que quem escreveu a reportagem publicada na revista Veja sobre suposta conta sua no exterior não seria jornalista, mas sim "bandido, mau-caráter, malfeitor, mentiroso".

O ministro Gilmar Mendes, relator da questão, determinou que o presidente seja notificado para, se quiser, no prazo de 48 horas, explicar a quem se referia. O presidente não é obrigado a responder ao pedido de explicações, que é uma ação preparatória de ação penal.

A afirmação de Lula foi feita depois que a revista noticiou que um espião da Kroll atribuiu ao presidente uma conta num paraíso fiscal. Lula disse também que a Veja "tem alguns jornalistas que estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade".
Diogo Mainardi pede explicações com o argumento de que não sabe a quem o presidente se referia, já que a reportagem sobre as contas de líderes petistas é de Márcio Aith e a coluna que assina foi publicada como um adendo ao texto principal.

Fonte: Redação Comunique-se - Comunique-se

I - Jornalismo



A cobertura das Copas ajudou a consagrar o jornalismo de notas e notinhas. A velha e imbatível crônica esportiva ainda resiste, felizmente, nas mãos dos especialistas. A reportagem clássica sumiu do mapa. A pretexto de não repetir a TV - sempre genérica, rasa, apressada - não se contam mais histórias, sumiram as narrativas. Um factualismo rasteiro, pseudo-objetivo, está derrubando o último bastião do beletrismo jornalístico.

Mas, às vezes, despontam pequenas jóias. Caso do caderno "Retratos do Brasil" do Estado de S.Paulo (quarta-feira, 7/6) dedicado ao futebol com preciosos textos e lindas fotos sobre "meninos que nasceram para ser craques, peladeiros, torcedores cismados e outras histórias do país da bola". Chave ouro: uma antiga crônica de Paulo Mendes Campos.

Caso também da reportagem de capa do caderno esportivo do Globo (sábado, 10/6) sobre uma miserável comunidade que vive a poucos minutos da Barra - a Miami carioca - e que nada sabe sobre Ronaldo, Ronaldinho, Copa e a Rede Globo simplesmente porque não tem luz.

Jornalismo autoral da melhor qualidade que no mundo ibero-americano (exceto entre nós) é designado como crônica.
Contrastes escondidos mas edificantes com as montanhas de palavras descartáveis desta gigantesca e oca cobertura futebolística.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

"Os ficantes denunciam o grito de uma geração que perdeu a liberdade"

Como é fácil observar atualmente, a palavra namoro está fora de moda para algumas pessoas. Hoje, a maioria dos jovens e adolescentes não querem namorar mais, eles simplesmente ficam. Mas qual a real diferença entre o ficar e o namoro tradicional? Sabemos que o namoro faz parte da construção institucional e cultural da maioria dos povos. Assumir um namoro é atribuir a si mesmo uma responsabilidade de aceitação e respeito pelo outro. Já o ficar, é uma maneira de passar o tempo com alguém, sem nenhum vínculo de compromisso.

O estudante de direito, Daniel A. Martins, 21, diz que prefere ficar a ter de arcar com as conseqüências de um relacionamento sério logo no primeiro encontro. Segundo ele, "quando se começa a ficar, pode-se conhecer melhor pessoas diferentes, e ainda ter a liberdade de terminar quando quiser". Já Thaís O. Furtado, 17, estudante do segundo ano do Ensino Médio já é mais conservadora quando o assunto se trata de um relacionamento amoroso. Ela prefere assumir de vez um namoro a ter que somente ficar sem compromisso. "Ficar é uma atração, namorar é gostar e amar", declara.

Em meados dos anos 60, do século passado, começou na Europa o que ficou conhecido como a "Revolução Sexual", defendendo a idéia de que os homens e as mulheres podiam desfrutar de direitos iguais, inclusive o sexo livre. Via-se como importante unicamente a sensação do momento, a satisfação pessoal, sem qualquer necessidade de sentimentos entre as pessoas. Com essas idéias em voga, o namoro foi sendo deixado de lado e substituído pela nova onda do ficar.

Júlio Lancelotti, coordenador do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, da Pastoral do Menor de São Paulo, ministra conferências pelo Brasil com temas relevantes que envolvem a juventude, como o uso de preservativos, AIDS, gravidez etc. Segundo ele, "os ficantes denunciam o grito de uma geração que perdeu a liberdade". Lancelotti sustenta a idéia de que, ficar pode ser uma passagem da adolescência, mas lembra que os jovens de hoje estão deixando a adolescência cada vez mais tarde, por volta dos 25 anos.

Não se pode negar que ficar é conseqüência do mundo moderno. Pode ser visto de forma paradoxal: ao mesmo tempo em que se fica, pode-se não ter a necessidade de responder por um amor inexistente - que é uma vantagem. Mas, ao mesmo tempo, pode ser que se crie na mente a idéia de que não é necessário assumir uma responsabilidade para com o próximo. Quando se fica, não há necessariamente o compromisso de garantir que a relação irá continuar. O fato de não haver cobranças pode ser visto por muitos como ponto positivo, porém, optando por esse caminho, não há como alimentar a certeza de poder contar com uma pessoa que se ama nos bons momentos e nos momentos de dificuldade para partilhar juntos alegrias e tristezas próprias do dia-dia.

Fonte: Isaias Silva Pinto - I - Jornalismo

I - Jornalismo

Crise em São Paulo mostrou força da internet

A crise da violência pode ter sido um divisor de águas não apenas em relação à percepção que São Paulo tem de sua (in)segurança pública, mas também na maneira como jornalistas, autoridades e leitores se relacionam com as notícias.

A editora-chefe do Globo Online, Joyce Jane, que foi repórter de Economia do Jornal do Brasil e do Globo, retira dessa terrível experiência recente a constatação de que a velocidade da divulgação permitida pela internet mudou todas as relações, "das fontes com os jornalistas, dos jornalistas com o público, e a própria cobrança do público, que vem imediatamente".

- O governo, a Polícia e o próprio Ministério Público tiveram que agir muito mais rapidamente, porque o fato de nós colocarmos notícia o tempo inteiro no ar fez com que eles fossem obrigados a soltar informações em boletins. Não dava para esperar e juntar tudo no fim do dia e dar aquela tradicional coletiva com um balanço do que tinha acontecido. As autoridades tiveram menos tempo para pensar na crise e aprontar um discurso certinho - diz Joyce.

A nova dinâmica da informação muda os próprios fatos. Houve no dia 15 de maio uma onda de boatos e pânico. A cidade ficou paralisada e só no dia 17 começou novamente a respirar. A volta à rotina (não a uma ilusória "normalidade") se deu após a Virada Cultural, com grande afluência de público, no fim de semana de 20 e 21 de maio.

Joyce Jane vive um processo intenso de reflexão sobre as características da nova mídia, ditado pela necessidade de renovar inteiramente o site que dirige. O Globo Online comemora em julho dez anos de existência. A editora diz que ele começou atrás de outros, já está em segundo lugar entre os sites de jornais e quer chegar à primeira posição em 2010.

Ontem, Joyce falou ao Observatório sobre a experiência nessa crise recente. Em 12 de maio, na véspera de começarem os ataques ordenados pelo PCC, ela havia dado uma entrevista sobre a experiência e os planos do Globo Online. No primeiro momento, constatou, a internet foi uma cópia muito fiel dos jornais. Hoje se sabe que "a linguagem da internet não é a do papel, mas também não é a da televisão e não é a do rádio". A linguagem da internet ainda não está pronta. "Vai sair disso tudo", afirmou.

Fonte: Mauro Malin - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

A palavra "preconceito" teve seu sentido invertido. Significava a rejeição prévia de uma idéia que não se queria examinar. Agora é um rótulo infamante que se cola sobre uma idéia para não ter de examiná-la. A "luta contra o preconceito" tornou-se a mais gigantesca máquina de criar preconceitos

Todo movimento ou partido político busca autodefinir-se em slogans genéricos de aceitação compulsória, de modo a colocar automaticamente seus opositores numa posição indefensável. Se um partido se apresenta como porta-voz da "liberdade", do "anti-racismo" ou dos "direitos humanos", quem ouse criticá-lo no que quer que seja se denuncia no ato como adepto da opressão, do racismo ou da injustiça, embora não tenha realmente defendido nada disso e embora esteja falando de coisa completamente diversa. A força do slogan permite desviar toda discussão de pontos concretos para um confronto estereotipado entre os valores ideais e o mundo mau que se opõe à sua realização. Abrigadas por trás de belas generalidades, as ações concretas do partido ou movimento, por mais ambiciosas, cruéis ou imorais que sejam, ficam a salvo de críticas.

Mas, tal como o sentido de uma filosofia só se esclarece quando sabemos a que outra filosofia ela se opõe, o espírito de um movimento político não se revela por seus ideais professos, mas pelos obstáculos e antagonismos que ele busca remover do seu caminho. Importa menos saber "pelo quê" ele luta do que "contra quê". A Revolução Russa dizia querer apenas "pão, terra e liberdade". Na prática, a luta por esse ideal consistia na destruição de toda uma classe social pelo terror e pelo homicídio em massa, mas quem quer que se opusesse a essa política era denunciado como um malvado que queria negar pão, terra e liberdade aos pobres.

Do mesmo modo, as reivindicações dos movimentos ditos "de minorias" são aparentemente modestas e irrecusáveis. Quem negaria a um ser humano garantias contra a discriminação por motivo de raça, gênero ou preferências eróticas? O problema começa quando você pergunta o que esses movimentos vão destruir para chegar a seus objetivos.

O governador paulista Geraldo Alckmin, por exemplo, baixou em novembro de 2001 uma lei que pune com multa quem impeça a entrada, em instituições particulares abertas ao público, de algum sujeito identificado como gay. Bem, a presença de um travesti numa sinagoga, numa mesquita ou numa igreja ortodoxa é uma afronta a regras milenares. Aí surge um conflito entre os direitos de dois grupos. Um desses grupos define-se pela comunidade de preferências e gostos sexuais. Outro pela comum devoção a valores morais e religiosos que fundaram civilizações e deram à espécie humana a consciência de sua dignidade. Deve este último ser proibido de praticar sua moral dentro de seus próprios templos para não ferir suscetibilidades advindas de uma peculiaridade de gosto? A adoção universal desse princípio teria as mais catastróficas conseqüências em escala civilizacional e até antropológica. Mas o movimento gay não está nem ligando. A obsessão de seus direitos grupais cega-o para os direitos do restante da Humanidade. A desproporção entre a pequenez dos interesses que a lei do sr. Alckmin protege e a imensidão do que ela terá de destruir para protegê-los é monstruosa. Mas, para saber até onde um político é capaz de chegar na sua ânsia de ostentar bom-mocismo, basta notar que a mesma lei, proibindo quaisquer atos "vexatórios, discriminatórios e atentatórios" contra a comunidade gay, inclui entre esses atos os "de ordem filosófica". Sim, senhores: filosófica. Está lá na alínea 1 do art. 2 da lei estadual 10.948. Ora, que seria um ato vexatório de ordem filosófica? Pensar em voz alta contra a ideologia gay incomoda tremendamente os gays, logo é um ato vexatório. O presente artigo, publicado em São Paulo, estaria sujeito a multa.

Mas não há nisso nada de estranho. Movimentos como aquele que essa lei protege não podem, por definição, tolerar objeções de espécie alguma. Eles próprios nem parecem dar-se conta disso, tal a naturalidade, quase a inocência, com que saltam das exigências irrecusáveis para a imposição de caprichos totalitários. A lógica paradoxal com que passam de uma coisa a outra é tão sutil quanto incontornável: dos slogans genéricos que servem para bloquear a discussão de pontos concretos, nenhum é mais eficiente do que a "luta contra o preconceito". Claro: quem quer que se oponha ao inimigo nominal dos preconceitos só pode fazê-lo... por preconceito! E preconceitos são abomináveis. Logo, antes mesmo de terminar de falar, o imprudente já se vê cercado por uma malha de reações emocionais " senão físicas " de repulsa e desprezo, que bloqueiam qualquer discussão séria de seus argumentos.

É evidente que, em tais circunstâncias, a palavra mesma "preconceito" teve seu sentido invertido. Significava a rejeição prévia de uma idéia que não se queria examinar. Agora é um rótulo infamante que se cola sobre uma idéia para não ter de examiná-la. A "luta contra o preconceito" tornou-se a mais gigantesca máquina de criar preconceitos. Ao infeliz que caia dentro de suas engrenagens, de nada servirá a alegação, por mais sincera, de que nada tem contra os gays ou qualquer outra "minoria", de que quer apenas preservar a escala hierárquica dos direitos para que os direitos menores não pisoteiem os maiores. Isso também será uma prova de "preconceito".

Os efeitos dessa inversão são incalculáveis. Psicologicamente, ela paralisa nas multidões a capacidade de raciocinar sobre o ponto em discussão, induzindo-as a aceitar passivamente a opinião de quem grite mais alto. Sociologicamente, demole o princípio mesmo de hierarquia racional inerente à idéia de direito, preparando o advento de um novo tipo de Estado em que as únicas fontes do direito serão o poder de pressão, a intolerância arrogante e a chantagem psicológica.

Fonte: Olavo de Carvalho - Mídia Independente

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I - Jornalismo

New-look da Folha para enfrentar o botox do Estadão

Jornais mudam de visual para se diferenciar dos concorrentes - mas, no Brasil, a cosmética vigente torna-os iguais. O novo look da Folha de S.Paulo, adotado no domingo (21/5), tinha como um dos seus objetivos afastá-la do Estadão. Os fados caprichosos decidiram o contrário: os concorrentes acabaram assemelhados.

É certo que o logotipo, as fontes tipográficas, o desenho e as opções gráficas dos dois jornalões são distintos, mas o que os torna indistintos são as razões que os empurraram para a sala de cirurgia: disputam o mesmo público. E este público tem uma peculiaridade - não lê jornais. E como não lê jornais não será atraído pela linguagem, teor, qualidade ou autoria dos textos, mas sim pela embalagem e a aparência do que foi impresso naquelas páginas.

Por mais diferentes que sejam as palhetas de cores e o arranjo das páginas do Estadão e da Folha, ambos têm as mesmas necessidades e apelam para os mesmos impulsos. Querem mais leitoras e mais jovens entre seus assinantes e partem do mesmo preconceito: mulheres e jovens não querem densidade da informação, querem leveza, entretenimento. E na busca desta leveza os jornalões acabam recorrendo ao mesmo arsenal de cacoetes.

Palheta de cores

Por ocasião do face-lifting do Estadão este Observador percebeu uma inclinação para o conceito Armani ver "Estadão-ão-ão ficou doidão-ão-ao". Para facilitar a comparação e nivelá-los no plano das metáforas fashion a opção da Folha pode ser denominada Hugo Boss. Equivalem-se, a diferença reside apenas na etiqueta. Pretendem ser light e clean, mas para serem efetivamente light e clean teriam que procurar os leitores mais sofisticados. Partiram então na direção contrária: a caricatura de modernidade.

Pretendiam inventar uma nova palheta de cores e acabaram utilizando o batido verde-mar encontrado pelo Valor há meia dúzia de anos e depois reproduzido no Estadão.

400 anos de história

Para organizar a sua rica vitrine de colunistas, a Folha contentou-se em padronizar as dimensões das colunas o que lhe valeu merecida e corajosa fustigada de Janio Freitas no primeiro dia (domingo, 21) da "nova fase" ver "Colunista da Folha critica a reforma gráfica do jornal" Na quinta (25), foi a vez do colunista Demétrio Magnoli reclamar a perda de "quase um quinto" do seu espaço. "De que serve opinião sem fato ou contexto histórico?", perguntou.

Sob o ponto de vista jornalístico nenhuma novidade, o que significa uma clara opção pelo retrocesso. A cadernização do jornal ficou ainda mais aberrante, já que o uso abundante de cores nas capas dos cadernos exigiu uma diminuição no número de suas páginas e produziu uma inédita duplicação (dois cadernos de "Cotidiano", dois de "Mundo" etc.). Em dezembro, quando aumentar o número de anúncios, teremos duas "Ilustradas" ou dois primeiros cadernos - o primeiro caderno-1 e o primeiro caderno-2.

Quando o novo visual do Estadão já parecia surrado, o seu incansável marketing inventou a milionária campanha de anúncios onde a humanidade foi dividida em dois segmentos - os "Ão-ão-ão" e os "Inhos." Vamos ver o que o marketing da Folha aprontará dentro de alguns meses quando a maquiagem testada no último domingo começar a esmaecer.

Jornais sempre apostaram na continuidade, por isso existem há 400 anos. Agora, enquanto discutem a sua sobrevivência, os jornalões brasileiros brincam de trocar de cara. Isso tem um preço.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

Jornalismo de Veja não vê, chuta

A edição nº 1956 de Veja (17/5/2006) transformou-se instantaneamente num clássico da impostura jornalística. A justificativa posterior, assinada pelo diretor de Redação Eurípedes Alcântara, não ficou atrás: é um clássico de cinismo. Juntas, convertem-se na bíblia do parajornalismo - combinação de chantagem, espionagem e paranóia.

A matéria "A guerra dos porões" (págs. 40-45) segue uma linha que Veja persegue há tempos - derrubar o presidente da República, a maior autoridade do país. Mas foi pensada, escrita e editada no extremo oposto - nos porões de uma profissão que já foi considerada missionária, romântica, decente e respeitável.

Esta que se apresenta como a quarta maior revista do mundo ocidental (quem garante?) e agora traveste-se como "a mais respeitada revista brasileira" (está provado, não é?) sintetizou de forma admirável e trágica a história da sua própria decadência.

Embora o presidente Lula tenha protestado em termos impróprios contra o repórter Márcio Aith (sem mencionar o nome), fica evidente que se referia ao parajornalista e pau-mandado Diogo Mainardi, que pegou carona na entrevista concedida pelo banqueiro Daniel Dantas.

Nas redações de revistas noticiosas as matérias passam por muitas mãos, a responsabilidade é da direção da Redação - e, neste caso específico, da alta direção da empresa. Uma acusação ao presidente da República, soprada por uma figura como Daniel Dantas, só pode ser publicada quando há indícios consistentes. Aqui, consistente foi o delírio.

Apuração precária

Tudo na matéria é assumidamente inconsistente, incoerente, duvidoso, incerto e inseguro. A alegação de Eurípedes Alcântara de que as informações publicadas "esgotam a investigação jornalística", além da fanfarronice juvenil é um atestado público das limitações de Veja em matéria de investigação jornalística. Quem não tem competência que não se habilite.

Sem a ajuda de arapongas, espiões e malfeitores de alto ou baixo coturno Veja não consegue dar um passo. Melhor seria que continuasse na esfera da celulite, impotência, incesto, longevidade, botox, infidelidade e espiritualismo - onde, aparentemente, lidera inconteste.

Uma revista adulta, minimamente responsável, não pode inscrever esta explicação simplória debaixo de uma lista com os nomes de grandes figuras da República e as quantias que teriam no exterior:

Veja usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão - positiva ou negativa.

Isto não é piada, é epitáfio. Atestado de óbito jornalístico. Conclusão negativa seria uma não-notícia cujo destino é a cesta de lixo. Essa sequer é uma não-notícia, mas simples suspeita veiculada por fonte suspeitíssima e que, apesar dos "seis meses de investigações", continua tão precária quanto antes da investigação. O mesmo aconteceu com os dólares de Havana que a respeitada publicação até hoje não conseguiu comprovar.

Exemplo venezuelano

Que o carro-chefe da Editora Abril tenha optado pelo haraquiri é problema da Abril. Porém a matéria de Veja vai além, ao comprometer a imprensa brasileira como instituição no exato momento em que a palavra de ordem dos calhordas pilhados em flagrante é vilipendiá-la - justamente por que a imprensa aprendeu a investigar e agora consegue se livrar dos vídeos, fitas e dossiês secretos que apareciam misteriosamente nas redações ou eram comprados de arapongas profissionais.

Passados dois dias da publicação das calúnias em Veja, o que chama a atenção é a absoluta ausência de manifestações opinativas no resto da imprensa sobre o seu aviltante comportamento. Nas edições de domingo (14/5), a matéria e a resposta do presidente Lula mereceram chamadas nas primeiras páginas do Globo e da Folha de S.Paulo. Na segunda-feira o assunto mirrou.

Nenhum editorial, apenas uma opinião, evidentemente apressada, do articulista Clóvis Rossi (Folha, 14/5, pág. 2), que de Viena considerou os supostos depósitos no exterior "quase impossíveis de desmentir". A imprensa brasileira oficializou a postura do avestruz: Veja provocou uma inédita manifestação de um chefe de Estado, mas isso não pode ser comentado, contestado ou condenado, apenas noticiado. O senso crítico do leitor não pode ser exacerbado.

Um magistrado, um parlamentar e um ministro podem ser linchados pela mídia quando cometem ilícitos. Mas revistas ou jornais são inimputáveis - mesmo em crimes de lesa-pátria e lesa-majestade - graças ao habeas corpus da solidariedade corporativa. Esta mesma camaradagem tipo country club foi intensamente utilizada na vizinha Venezuela e o resultado foi (1) a ascensão do caudilho Hugo Chávez, (2) o ressentimento das massas incultas contra los medios de comunicação e (3) o castigo imposto a todos - bons e maus jornalistas, bons e maus veículos: uma imprensa encurralada.

Enquanto o narcoterrorismo captura um estado e com ele o Estado, o padrão Veja de jornalismo captura o senso crítico da sociedade brasileira para torná-la presa fácil dos desvarios. [Texto fechado às 21h14 de 16/05]

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

O achincalhe no lugar do debate sobre a mídia

É surpreendente a decisão da Rede Globo de não renovar o contrato com o jornalista Franklin Martins no exato momento em que este profissional está sendo alvo de uma abjeta campanha de difamação por parte do McCarthy tupiniquim, Diogo Mainardi.

A mais poderosa empresa de comunicação brasileira abdica publicamente dos critérios de seleção de seus quadros, delega-os a uma empresa concorrente, a Editora Abril, e consagra de forma ostensiva o jornalismo de chantagem batizado em 1960 de "imprensa marrom".

A nota emitida na sexta-feira (5/5) pela Central Globo de Comunicação informa que "a emissora não fará outros comentários mas acrescenta que a não-renovação não tem qualquer relação com colunas de Diogo Mainardi".

Significa justamente o contrário: a Rede Globo manda dizer ao distinto público que é, sim, sensível ao sistema de achincalhes institucionalizado pelo semanário de maior tiragem do Brasil.

De forma lacônica e brutal escancara-se a dura realidade do jornalismo brasileiro: o que vale é o escândalo, a irresponsabilidade. A verdade é o que menos interessa.

Infeliz coincidência

Durante duas décadas Veja foi uma ostensiva extensão dos domínios do ministro, depois governador e depois senador Antonio Carlos Magalhães. A coisa não envolvia apenas matérias de favor, mas outros favores. Mas como o resto da mídia também era dependente da generosidade do vice-rei baiano, calaram-se todos.

Até hoje Veja mantém uma implacável e sórdida Lista Negra que contraria todos os princípios de decência jornalística. Todos os jornalistas brasileiros sabem disso, mas quem manda nos jornalistas não está interessado em desvendar esta excrescência porque cada veículo tem a sua Listinha Negra particular - operada no "andar de cima" ou, quando não, no recôndito das almas de alguns gatekeepers. As exceções são raríssimas.

O caso do afastamento de Franklin Martins da Rede Globo não pode ser encerrado com aquela nota oficial. Transcende à emissora e às suas razões. O método de linchamento mainardiano não pode ser oficializado e convertido em substituto da observação e do debate sobre a mídia.

No exato momento em que se reúne em São Paulo a fina flor do jornalismo internacional - 26ª Conferência Anual da Organization of News Ombudsmen, seguida do Fórum Folha de Jornalismo - para discutir a implementação dos procedimentos éticos, uma parte expressiva da imprensa brasileira exibe um espetáculo deprimente.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

Vá explicar para as pessoas como é que um assassino confesso, condenado por crime duplamente qualificado, ou seja hediondo, sem atenuantes, pega 19 anos de cadeia - e vai para a casa.

Mas a função da imprensa não é explicar, além de noticiar?

Se assim é, quase todos os grandes jornais de hoje ficaram devendo.

Faltou na cobertura da sentença que condenou, mas não encarcerou o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves um mergulho mais fundo na questão que está na boca do povo - "como pode?!" - e que fez a família de Sandra Gomide, a sua vítima, passar pelo que passou ontem em Ibiúna, a ponto de alguns de seus membros pintarem o nariz de palhaço e falar em justiça com as próprias mãos.

Enquanto o pai de Sandra associava a liberdade de Pimenta à pizza da absolvição dos mensaleiros da Câmara.

O que também está na boca do povo. Por motivos óbvios. Ainda assim, explicar é preciso.

Dos três grandes diários, só a Folha procurou situar o problema em perspectiva, fazendo as perguntas certas e publicando as respostas claras de conceituados profissionais do direito.

E o fez sem deixar de registrar a revolta que a decisão Diego Ferreira Mendes provocou - e que ele deu a entender ter tomado a contragosto.

O caso é o seguinte:

Qualquer que seja o crime, a culpa só se estabelece quando o processo "transita em julgado", ou seja, depois da sentença final, que já não pode ser contestada pela defesa ou pela acusação.

Até lá, conforme o Supremo Tribunal Federal, o réu tem direito à liberdade - salvo se o juiz que o condenou em primeira instância tenha motivos para temer que, solto, ele poderá voltar a delinquir, tornando a matar, por exemplo. Ou que fuja. Presumindo-se que Pimenta não fará nem uma coisa nem outra, só um "fato novo", como disse o juiz de Ibiúna, poderia levá-lo a agir de outro modo. Esse fato não apareceu.

Às vezes, os juízes de qualquer instância se enganam - e os réus a quem permitiram aguardar julgamento em liberdade ou recorrer em liberdade da primeira condenação acabam cometendo novos delitos ou somem do mapa.

Na incerteza, vale o princípio milenar do "in dubio pro reu". Está certo: melhor a Justiça errar por menos do que por mais. Mesmo quando se trata de homicidas que merecem apodrecer no inferno.

Esse, portanto, não é o problema, por imensa e explicável que seja a revolta da opinião pública diante de mais um acontecimento o gênero - não fosse o Brasil, de resto, o campeão da impunidade.

O problema é o malfadado Código de Processo Penal brasileiro e o descalabro que é o funcionamento do Judiciário. Juntos, fazem com que as ações se arrastem interminavelmente, para alívio dos criminosos capazes de pagar bons advogados, alegria dos que embolsam os merecidos honorários, desespero das vítimas e desencanto da sociedade.

Como disse à Folha o criminalista Iberê Bandeira de Melo, "o que não é justo é a demora no processo". Ou nas palavras do seu colega Fernando Castelo Branco:

"A máxima de que a justiça tarda mas não falha é um engodo. A justiça que tarda é falha."

Fonte: Luiz Weis - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo

Para a socióloga *Valquíria Padilha, as pessoas se sentem compelidas a comprar, mesmo sem necessidade, constantemente.

A sociedade contemporânea está doente. Homens e mulheres, descontroladamente, são levados a comprar, sem necessidade. Fazem do consumo uma opção de lazer e uma forma de libertação. Os shopping centers se tornaram os templos dessa sociedade - doente - de consumo. Reivindicam o espaço público, mas não passam de comunidades fechadas e restritas, onde se mantém a dominação do rico sobre o pobre. A análise é da socióloga Valquíria Padilha, que acaba de lançar o livro Shopping center: a catedral das mercadorias (Boitempo Editorial, 2006), resultado de sua pesquisa de doutorado. Em entrevista ao Brasil de Fato, por correio eletrônico, Valquíria contou que se dedicou a estudar o papel dos centros comerciais no lazer dos brasileiros. Sua conclusão estarrece: o shopping center cria um novo tipo de sociabilidade, mas uma sociabilidade destrutiva. Tanto para o ambiente, quanto para o cidadão. É a manifestação de uma sociedade doente, cuja cura só se dá sob uma transformação radical.

Brasil de Fato - Por que os shopping centers assumem tanta importância na vida das pessoas, a ponto de ser considerados indispensáveis para algumas delas?
Valquíria Padilha - A importância desse templo do consumo vem crescendo, nos últimos 40 anos. O shopping center integra o projeto capitalista estadunidense chamado de american way of life, que espalha pelos quatro cantos do mundo o estilo de vida nos Estados Unidos. O cinema foi e ainda é o principal veículo para disseminar esse conceito, acompanhado do shopping center, do fast food e do automóvel. Sem se dar conta, as pessoas vão assimilando a "cultura" estadunidense e a necessidade de integrar a chamada sociedade de consumo. O shopping center ganhou espaço nas sociedades capitalistas porque passou a signifi car uma nova cidade, mais limpa, segura, moderna, organizada e mais seletiva que a cidade real, aquela realidade que eu denomino de "mundo de fora".

BF - Qual o impacto dos shopping centers na definição do espaço público e da cidadania?
Valquíria - Como nas últimas décadas as cidades e os espaços públicos entraram em um processo de declínio, acentuado com a implementação de políticas neoliberais, a noção de coletividade e de direitos sociais sofreu transformações. Com o desenvolvimento da sociedade de consumo, os sujeitos políticos - aqueles que têm deveres mas também têm direitos - foram praticamente engolidos pelos sujeitos consumidores - aqueles que vivem para produzir e gastar o salário, consumindo muito mais do que realmente precisariam para sobreviver. O shopping center, essa cidade artificial criada estrategicamente para incitar os desejos de compra, é um lugar privado travestido de público. Portanto, é uma comunidade sem política, uma comunidade sem governo, sem democracia, sem discussão de assuntos que interessam à coletividade. Não acredito no consumo como um ato coletivo, por mais que consumir tenha um significado social na medida em que demarca status e diferenciação entre as pessoas. Não acho possível falar em consumidor cidadão. Cidadania exige espaço público, que não existe no shopping center.

BF - No caso brasileiro, fala-se em dois níveis de cidadania: dos ricos, que podem tudo, e dos pobres, que são uma espécie de subcidadãos.
Valquíria - No Brasil e nos países onde a desigualdade social é mais visível, a violência urbana aparece como um complexo fenômeno que acentua a degradação do espaço público e empurra as camadas privilegiadas da população para lugares mais "protegidos", como o shopping center ou, para os mais endinheirados, a loja Daslu, em São Paulo. A cidadania e a democracia partem do princípio de que todos têm os mesmos direitos na vida em sociedade. Mas, na prática, os que têm mais dinheiro acabam tendo mais direitos que outros. A cultura do consumo nasce e se estabelece sobre os ideais da liberdade individual de escolha, o que gera uma equação complicada do ponto de vista da política e da cidadania, uma vez que a liberdade de escolha é maior, no capitalismo, para quem tem mais dinheiro. Então, quanto mais se acentua a liberdade individual do consumidor, mais a vida pública se debilita.

BF - Como surgiu o shopping center no Brasil?
Valquíria - Aqui, os primeiros shopping centers se instalaram nos anos 1960, seguindo o padrão estadunidense. A expansão desse novo modelo de vida e de urbanidade se deu efetivamente nos anos 1980. A consolidação do shopping center no Brasil foi concomitante ao crescimento populacional, à proliferação da idéia desenvolvimentista e ao aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, o que gerou modificações nos hábitos de consumo dos brasileiros. Os primeiros shoppings brasileiros atenderam à camada da população mais rica do país, oferecendo o consumo de luxo. A partir dos anos 1970 houve um crescimento do setor de serviços e da produção industrial, além de um aumento do consumo dos assalariados da chamada classe média. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o número de estabelecimentos praticamente dobra a cada cinco anos. Em 1966 existia apenas um shopping no Brasil; em 2002 já eram 252. Só a região Sudeste concentra quase a metade desse número. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, em 2001, existiam mais de 45 mil estabelecimentos desse tipo.

BF - A senhora citou a Daslu. Até redigiu um apêndice sobre essa loja em seu livro. Por que essa butique de luxo a inquieta tanto?
Valquíria - Esse tipo de espaço exclusivo para a circulação de milionários, que existe em São Paulo e no Rio de Janeiro, é no mínimo afrontoso, em um país como o nosso. Mais do que centros de compras de marcas internacionais, são lugares de encontro de pessoas que gastam uma pequena parte de suas fortunas em supérfluos e prazeres mundanos. Só chegaram nessa situação porque exploram trabalhadores ou roubam os cofres públicos. Sejamos lúcidos: quem é milionário, no Brasil, apenas trabalhando honestamente? A Daslu é um dos ridículos exemplos brasileiros do desperdício de tempo e de dinheiro, é o paraíso para 0,05% da população de nosso país. O que apenas uma cliente gasta por mês na Daslu - em média 15 mil dólares - daria para sustentar uma família inteira por vários meses. Isso é inaceitável, na minha opinião.

BF - Os shopping centers aparecem como espaço de lazer. Ou seja, como fonte de prazer, diversão, algo que liberta do fardo do trabalho. Como se criou essa imagem?
Valquíria - O shopping center é a catedral das mercadorias e do lazer reificado. O que isso significa? Que ocupar o tempo livre circulando nesses espaços é submeter o lazer à mercantilização. Lazer, que era para ser atividade de liberdade, criatividade, sociabilidade e autonomia, se converte em mais uma mercadoria a ser consumida no shopping center. Além dessa coisificação do lazer, o shopping center oferece opções americanizadas de lazer. Quantos filmes europeus, indianos, iranianos ou mesmo nacionais passam nas salas de cinema dos shoppings? O que resta além dos jogos eletrônicos, em inglês? Chamo de "shopping center híbrido" essa fórmula de estabelecimento que foi agregando num mesmo espaço lojas, serviços, alimentação e lazer. Quando esses centros comerciais se tornam a única opção da classe média e alta no Brasil, ao lado da televisão, para preencher o tempo livre, o que se pode concluir é que as pessoas estão buscando a felicidade na materialização dos sentimentos, dos desejos e do prazer. O "mundo de dentro" do shopping center está conseguindo ser mais atraente que o "mundo de fora", a vida real.

BF - Quem controla as principais redes de shopping centers no Brasil?
Valquíria - A primeira e maior é a Iguatemi Empresa de Shopping Center S.A., que pertence ao grupo Jereissati, do Ceará. A entrada do grupo Jereissati no ramo deu-se em 1974, com a construção do Shopping Center Um, em Fortaleza. Desde então vem crescendo e se expandindo em todo o país, alcançando a atual posição de liderança no setor. A empresa controla hoje os mais lucrativos shopping centers brasileiros, como os Iguatemi de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Ribeirão Preto e Porto Alegre. Os outros proprietários são grandes grupos de investidores, holdings ou construtoras. Para dar um exemplo, o Shopping Parque Dom Pedro, de Campinas, pertence a um grupo português chamado Sonae, holding da área de telecomunicações, internet e multimídia.

BF - A sociedade de consumo é irreversível?
Valquíria - Nada é irreversível quando se pensa em sociedade. O primeiro e mais importante limite dessa cultura do consumo, que estamos testemunhando hoje, são os próprios limites ambientais. O planeta não suportaria se cada habitante tivesse um automóvel, por exemplo. Há também o sério problema do lixo produzido pela sociedade. Onde os países desenvolvidos estão despejando seus lixos? Li que jogam nos mares de países com alta dívida externa, como o Brasil. Psicológica e sociologicamente também não será suportável por muito mais tempo essa lógica de produção e consumo destrutivos a que estamos sujeitos hoje.

BF - Que tipo de ação pode acelerar esse processo?
Valquíria - Eu gosto muito de uma idéia do pensador italiano Antonio Gramsci: devemos ser pessimistas na análise, mas otimistas na ação. Isso não é fácil porque, quando a gente ultrapassa a aparência e chega na essência e nas causas de um fenômeno social como a sociedade de consumo e o shopping center, no início dá um certo desânimo e uma sensação de impotência para mudar. Mas é necessário ser radical - no sentido de ir fundo e buscar a raiz - quando se quer mudança. Isso, ao contrário do que dizem alguns intelectuais mais conservadores, não é esquizofrenia. Acredito em pelo menos dois níveis de mudanças possíveis de serem feitas ao mesmo tempo em que se desenvolvem análises críticas: um nível mais amplo, que fi ca na esfera do coletivo; e um nível mais restrito, que fica na esfera do indivíduo. Só que tudo isso acontece junto, num movimento crescente, em espiral. Movimentos sociais são importantes para chamar a atenção das pessoas para os problemas, além de exercer pressão sobre as formas de poder e manutenção da ordem existentes. Vale lembrar a repercussão que houve em todo o país quando, em agosto de 2000, o Shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro, foi escolhido para uma manifestação de sem-teto e moradores de favelas da cidade. Quiseram mostrar que há uma realidade cruel no "mundo de fora" que contrasta com a "cidade artificial" do shopping center. Um outro nível também importante de mudança é o cotidiano, o dia-a-dia de cada um. Nesse sentido, cada indivíduo pode participar da construção de uma sociedade melhor quando respeita o próximo no trânsito, quando respeita o companheiro ou a companheira nas relações de intimidade, quando diminui o consumo do que não é necessário, quando recicla o lixo, quando não desperdiça recursos naturais.

*Valquíria Padilha é especialista em estudos do lazer, mestre em sociologia e doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora no Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) na Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. É autora de Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito (Alínea, 2000) e Shopping center: a catedral das mercadorias (Boitempo Editorial, 2006).

Fonte: João Alexandre Peschanski - Brasil de Fato

I - Jornalismo

Um compromisso, uma história, um saldo

O Observatório da Imprensa nasceu numa universidade - Unicamp -, mas não é um projeto acadêmico.

Começou num Laboratório - Labjor -, como experimentação, mas recusa o hermetismo teórico.

Procurou combinar inovação com participação pública. Serviu-se da tecnologia mas recusa ser escravo dela.

Ao escolher a designação de observatório estava consciente de que a observação de um fenômeno é a forma correta de nele intervir.

Comprometeu-se a incentivar a discussão sobre a imprensa e os meios de comunicação na presença de um interlocutor crucial, indispensável e, não obstante, sempre esquecido - a sociedade. Diversificada, pluralista, e por isso sábia. Razão pela qual em todos os seus formatos busca a interatividade com suas audiências. São elas que o legitimam. São os seus interesses que o pautam.

Documentos fundadores

O Observatório da Imprensa buscou a noção de excelência em jornalismo no exato momento em que a mídia impressa brasileira inebriava-se com os malabarismos do marketing e as soluções mágicas trazidas por consultores internacionais.

Partiu do pressuposto de que o jornalismo é um exercício crítico permanente ao qual todos devem ser submetidos, sobretudo o próprio jornalismo. Quando a imprensa se exclui do debate torna-se automaticamente suspeita.

Sempre esteve ciente de que a democracia é um processo dinâmico e que cada poder necessita de um contrapoder para equilibrá-lo. O único e legítimo contrapoder ao poder da imprensa é a conscientização do cidadão-leitor, cidadão-ouvinte, cidadão-telespectador e cidadão-internauta.

Considera o exercício crítico como ação política, mas a partidarização desta crítica converte-a em algo tão enganoso quanto as manipulações que pretende corrigir.
Pretendia-se de início criar um fórum, depois um veículo, acabou transformado num fórum-veículo, imperiosamente periódico, podium em movimento, e submetido às mesmas exigências de qualidade que exige dos demais meios de comunicação.

Com estas convicções criou-se e se mantém o Observatório da Imprensa. E como um dos esteios deste projeto é a absoluta transparência, cabe ao leitor avaliar o quanto foi alcançado. Abaixo estão reproduzidos os principais documentos fundadores do OI.

Fonte: Alberto Dines - Observatório da Imprensa

I - Jornalismo


Não somente os meios de comunicação impressos, mas também a internet está mudando os conceitos de sociedade atualmente. Os leitores modernos estão expostos a profundas trocas de comportamento, inclusive alguns que envolvem a própria cultura. Segundo a autora do livro "Navegar no ciberespaço", Lucia Santaella, o século XXI é de esperanças na revolução da informação. A exemplo de Gutenberg no século XV, procuramos trazer hoje não uma novidade que é imutável, mas adaptável aos novos tempos. O livro traz a idéia de que a comunicação de hoje é dinâmica. Ela se apresenta à humanidade trajando tecnologia. Diversas áreas que nos circundam estão conectados aos frutos dos avanços tecnológicos. A religião, as ciências, a educação, as industrias, todos necessitam do auxilio da tecnologia e das formas rápidas de comunicação. "Navegar no ciberespaço" é uma boa dica de leitura para os estudantes de comunicação que buscam se aprofundar nas mudanças tecnológicas que redirecionam os hábitos de leitura e obtenção de informação.

SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.

I - Jornalismo

O livro "Rádio: o veículo, a história e a técnica" apresenta os principais conceitos no que diz respeito à técnica utilizada pelo rádio na transmissão da notícia. O autor, Luiz Artur Ferraretto mostra quais são os princípios básicos de produção jornalística no rádio. As idéias principais da obra consistem em transmitir a idéia de que a transmissão dos fatos noticiosos dependem de vários fatores, sendo um dos principais deles o fluxo de notícias que podem ser transmitidas mediante a colaboração de fontes. Fica claro a idéia de que um dos processos mais importantes na "linha de montagem" dos rádios jornais compete à produção. A partir de como é organizada a produção ter-se-á os resultados finais. O produtor é a pessoa que produz o que vai ser transmitido, cabendo a ele dar a cara do radiojornal. A partir da obra de Luiz Artur Ferraretto é possível compreender quais são os principais passos na produção do jornalismo radiofônico. A obra apresenta os principais conceitos de forma clara e objetiva, fazendo que o aluno de comunicação assimile de forma mais fácil o conteúdo que é proposto.

FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio: O veículo, a história e a técnica. São Paulo: Sagra-Luzzatto, 2001.

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No atual mundo competitivo e que dá valor aos meios modernos de comunicação, a tarefa do jornalismo, e conseqüentemente do jornalista, é difundir as informações de forma imparcial e que provoque mudanças positivas na sociedade. O livro "Jornalismo: comunicação, literatura e compromisso social", editado pela Paulus, de Carlos Alberto Vicchiatti aborda questões fundamentais que permeiam o jornalismo moderno, que muitas das vezes se utiliza de padrões pré-determinados, deixando escapar reflexões sobre as principais mudanças e tendências da sociedade. Segundo o autor da obra, o jornalismo de hoje vem se consolidando preso a amarras da própria história jornalística, e por conseqüência, muitas vezes se apresenta de forma mecânica e catastrófica. O principal objetivo do livro é valorizar a profissão do jornalista e dar-lhe um caráter de responsável pelos melhoramentos da sociedade e que provoque reflexões e mobilizações pela democratização do país.

VICCHIATTI, Carlos Alberto. Jornalismo: comunicação, literatura e compromisso social. São Paulo: Paulus, 2005.

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O Site SOS-Imprensa têm por principal objetivo dar aos cidadãos em geral uma assessoria no que diz respeito aos meios de comunicação hoje. Quando acontece de alguma pessoa sofrer abusos por parte da mídia, muitas vezes é difícil saber onde recorrer. Com esse intuito, o portal SOS-Imprensa visa atender os cidadãos quando são vítimas de abusos e erros cometidos por parte da mídia. O SOS-Imprensa valoriza a liberdade de expressão quando é utilizada de forma responsável. O site em si não exerce funções jurídicas, mas tem a proposta de ouvir as pessoas que se sentiram vitimadas pela imprensa, sem fazer pré-julgamentos. O trabalho do SOS-Imprensa é exercido desde 1996 por estudantes de Comunicação dispostos a contribuir com o exercício da cidadania mediante a mídia em geral. Os interessados em se incorporar na equipe podem fazê-lo por meio de bolsas e voluntariado.

SOS-Imprensa

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A Notisa consiste em uma agência situada no Brasil que oferece ao público especializado matérias jornalísticas que permeiam a área científica, da medicina e da ciência. Em seu site, é possível encontrar pesquisas e relatórios da maioria das produções científicas do país, que compreendem as ciências exatas, biológicas e humanas. A junção de jornalismo e ciência, proposto pelo site da Notisa, oferece aos profissionais e estudantes de comunicação, interessados na área científica e da saúde uma rica fonte de pesquisa e divulgação de seus trabalhos. Com um conteúdo preciso e de relevância na área, a Notisa consegue oferecer um material sério e de importância impar aos profissionais de comunicação dedicados à ciência e à saúde.

Notisa

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Quem navega no Portal do Jornalismo Brasileiro tem a possibilidade de se informar sobre quais são as tendências do pensamento jornalístico do Brasil. O PJ:Br é uma página digital produzida pelo Grupo de Estudos sobre o Pensamento Jornalístico Brasileiro, orientado pelo professor e doutor José Marques de Melo. No site você encontra um espaço interativo e que é atualizado constantemente pela equipe de estudos da USP. O Mural do Jornalismo Brasileiro, uma das possibilidades de navegação do site é um informativo atualizado que apresenta referências aos trabalhos realizado pelos agentes do pensamento jornalístico da USP. Há a possibilidade também de acessar a Revista PJ:Br, com um conteúdo de estudos, pesquisas, análises e reflexões sobre o pensamento jornalístico brasileiro. Há ainda o Dicionário do Jornalismo Brasileiro, que é um espaço de referências, contendo verbetes, bibliografias sobre o jornalismo do país.

Portal do Jornalismo Brasileiro

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A mistificação dos blogs está envenenando o noticiário jornalístico com a propagação de comentários que são tratados como notícia verdadeira sem passarem pelos crivos de checagem das informações.


Na primeira metade do século XX, o rádio exerceu o papel preponderante na formação de opinião para a disputa do poder político ou geopolítico estratégico. Os discursos de Hitler, na Alemanha Nazista, as transmissões da BBC, a cobertura jornalística da Segunda Guerra Mundial são exemplos da relevância dessa mídia naquele período. A comunicação de massa passou a ser uma realidade.

Na segunda metade do século passado, foi a vez da televisão. Imagens transmitidas via satélite para dezenas de países transformaram o mundo em uma aldeia global. Encanto, indignação e revolta mobilizaram, em poucos dias ou poucos segundos, cidadãos de todas as partes em torno de acontecimentos como a conquista do espaço, as guerras e tragédias, o choque de ideologias e os embates políticos e comerciais.

Embora ainda seja um meio de comunicação relativamente - elitizado -, a internet já se consagrou como uma mídia de massa na Era Digital. Sua agilidade, interatividade, amplitude e flexibilidade encurtaram o tempo de propagação das informações noticiosas, ao mesmo tempo em que facilitaram o acesso a uma ampla diversidade de canais e redes de comunicação e formação de opinião.

Sem menosprezar a força do rádio e da televisão, ainda preponderantes na interlocução com as camadas mais pobres da sociedade, arrisco a afirmação de que o campo da internet será o diferencial da disputa eleitoral deste ano. Menos pelo alcance direto da audiência da maioria do eleitorado e mais pela extrema capacidade de pautar os outros meios de comunicação, espraiando com grande rapidez informações verdadeiras ou falsas para uma rede de cidadãos de classe média cada vez mais ávidos pela sensação de estarem bem informados.

Na Era do Jornalismo Em Tempo Real, os sítios de notícias da internet tornaram-se referência para um público expressivo e crescente. Inicialmente desprezada pelas estrelas do jornalismo brasileiro, a internet passou a ser a vitrine da moda, especialmente depois de ter pautado parte significativa da cobertura dos escândalos que abalaram as estruturas do governo petista. Os blogs, espécie de diário pessoal eletrônico, ganharam fama e prestígio antecipando notícias e direcionando o noticiário, que geralmente se orienta pelo comportamento de manada.

Tal como as colunas de notas e fofocas, os blogs de jornalistas têm demonstrado mais afinidade com versões do que com fatos, transformando pautas em notícias publicadas. Novidade no mundo da comunicação, esse tipo de canal noticioso ainda não consolidou um compromisso com o conjunto de regras éticas, morais e jurídicas que regulam o jornalismo. Portanto, está solto para espalhar muito joio no meio do trigo. Ganharam em poucos meses e até dias a credibilidade que outros meios levaram décadas para consolidar. Mas sem a mesma responsabilidade ética, moral e jurídica que traça os limites da liberdade de informação no Estado Democrático.

Nesta terça-feira (18), observamos dois exemplos distintos de como a mistificação dos blogs está envenenando o jornalismo. O primeiro caso envolve o ¿ex-blog¿ do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, do PFL, assumidamente criado para fazer o embate político na internet. O segundo, o blog do jornalista Ricardo Noblat, hospedado no portal do Estadão, que abriu o terreno desse canal de comunicação no Brasil ao conciliar o prestígio do ex-diretor de redação de alguns dos principais jornais do país com a publicação de notícias quentes no auge da cobertura das CPIs.

Com boletins diários (Informação e Opinião de César Maia - IOCM) enviados para endereços eletrônicos de boa parte da imprensa brasileira, o blog de César Maia tem sido uma referência na propagação de boatos e insinuações com o objetivo de constranger o governo Lula. No fim da semana passada, informava que estava para ser detonado um novo escândalo envolvendo um ministro e sua casa. A expectativa em torno do noticiário das revistas semanais e jornais se frustrou. Os vestígios do terrorismo virtual só foram vistos na coluna de uma revista. Tratava-se de nova tentativa de denúncia não comprovada para enfraquecer o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos.

Na investida desta terça-feira, o prefeito do Rio espalha, em tom de galhofa, números de contas bancárias do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, insinuando que a quebra do sigilo delas poderia revelar transferências de recursos para familiares do presidente Lula. A linguagem cifrada sugere ainda que Okamotto pode ter sido grampeado falando do assunto. Até aí, nada de mais. A disputa política é uma guerra. Em 1998, o sítio do PDT na internet reproduziu um artigo do jornalista Sebastião Nery falando de um filho não reconhecido do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A diferença é que aquela informação não foi disseminada como verdade pela imprensa. No caso do boato de César Maia, o texto foi reproduzido integralmente no blog do jornalista Fernando Rodrigues, colunista do jornal Folha de S.Paulo. A chamada para a nota do blog foi destacada no alto da página principal do portal UOL, com o título "Maia divulga suposta conta de Okamotto". Mesmo com os adjetivos cautelosos e os verbos no condicional recomendando a desconfiança na informação, o objetivo do prefeito do PFL foi alcançado. O jornalista e o veículo emprestaram sua credibilidade para espalhar um boato que só se justificaria como interesse público se devidamente comprovado. Divulgando o torpedo político como informação noticiosa, eles serviram, consciente ou inconscientemente, aos interesses de uma facção política.

No entanto, o portal do Estadão fez pior. Pegou um comentário de uma fonte não identificada publicado no blog do Noblat e transformou em verdade absoluta. No seu diário pessoal eletrônico, o jornalista conta que - um destacado senador da CPI dos Correios - teria sido procurado pelo lobista Marcos Valério, que teria lhe passado o seguinte recado: "Estou duro de dinheiro. Diga isso ao Okamotto". A conversa, segundo Noblat, teria sido relatada a Okamoto e ao presidente Lula.

A nota do blog não dá nenhuma indicação de quem possa ser a fonte da informação. Tem o nítido objetivo de insinuar que Okamoto não seria só uma espécie de tesoureiro particular o presidente e sua família, teria assumido o papel de responsável pelo caixa-dois do PT depois que Delúbio Soares teve que sair de cena.

As suposições e insinuações de um "blogueiro", mesmo sendo jornalista, fazem parte do território sem lei da internet. Todos dizem o que querem sem dar satisfação a ninguém. O problema maior está no fato do portal do Estadão ter alçado a especulação para a manchete principal da página. E o que é pior, tratando um comentário sem fonte como verdadeiro: "Valério pediu dinheiro a Okamotto".

O editor do sítio nem se deu ao trabalho de desconfiar da informação, como é prática comum no jornalismo responsável. Ele poderia ter checado a lista de senadores da CPI para ver quem poderia ter feito uma inconfidência dessas. Destacado senador da CPI com intimidade suficiente com o presidente Lula a ponto de constrangê-lo? O mais próximo do perfil é o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Será que alguém tão elogiado pela oposição e pela imprensa teria se prestado ao papel de levar recados de Marcos Valério a Paulo Okamotto? A história não bate, mas será reproduzida como verdade por ter sido chancelada pelo Estadão.

A internet é uma mídia democrática e os blogs são canais de comunicação interessantes para disseminar informações e opiniões. Mas os jornalistas precisam ter mais responsabilidade ao lidar com tais informações. Sem rigor jornalístico, podem se transformar em instrumentos da disputa política, minando a credibilidade dos veículos de comunicação e de seus jornalistas. Em uma disputa política acirrada como a que se avizinha é preciso redobrar a vigilância.

Fonte: Nelson Breve - Carta Maior

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Nossos jornais têm estranhos hábitos: nos feriadões, em vez de oferecer aos leitores trepidantes edições, oferecem matérias de gaveta, mornas, descartáveis. O Globo quebrou o tédio do último feriadão sem recorrer a nenhum passe de mágica, mas utilizando a mais antiga ferramenta jornalística: a reportagem. Três investigações conduzidas pelos repórteres do Globo acabaram com o domingo de muita gente e certamente vão agitar as próximas semanas. Se a moda pega, domingo vai ser dia de agito.

Por onde anda o caseiro Francenildo? Em que pé estão as duas ações indenizatórias que os advogados impetraram contra a Caixa Econômica e a revista Época? O caseiro estava sendo apresentado pela mídia como um herói popular, o homem humilde que derrubou o ministro mais forte do governo (Antonio Palocci) e arranhou a credibilidade do mais respeitado (Márcio Thomaz Bastos).

Tão logo noticiou-se a justa reação do caseiro, seu nome magicamente desapareceu da mídia. Isso teria acontecido se os advogados exigissem apenas uma indenização da Caixa Econômica Federal, deixando Época de lado? É uma hipótese, mas quando se busca a verdade as hipóteses não devem ser descartadas, sobretudo quando elas têm alguma lógica.

Surgem então algumas perguntas em outra direção: uma indenização milionária repara os danos morais e devolve a honra agredida? A "indústria da indenização" não pode transformar-se num entrave à livre circulação de informações?
Uma coisa é certa: Francenildo Costa conquistou um lugar em nossa história política. Mas também pode entrar para a história da nossa imprensa.

OI


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Votado em Congresso Nacional dos Jornalistas, o código está em vigor desde 1987: O Código de Ética do Jornalista fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional, nas suas relações com a comunidade, com as fontes de informação, e entre jornalistas.

Art. 1o - O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse.

Art. 2o - A divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública, independente da natureza de sua propriedade.

Art. 3o - A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo.

Art. 4o - A prestação de informações pelas instituições públicas, privadas e particulares, cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade, é uma obrigação social.

Art. 5o - A obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação e a aplicação de censura ou autocensura são um delito contra a sociedade.II - Da conduta profissional do jornalista.

Art. 6o - O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social e de finalidade pública, subordinado ao presente Código de Ética.

Art. 7o - O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação.

Art. 8o - Sempre que considerar correto e necessário, o jornalista resguardará a origem e identidade das suas fontes de informação.

Art. 9o - É dever do jornalista:a) Divulgar todos os fatos que sejam de interesse público.b) Lutar pela liberdade de pensamento e expressão.c) Defender o livre exercício da profissão.d) Valorizar, honrar e dignificar a profissão.e) Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem.f) Combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação.g) Respeitar o direito à privacidade do cidadão.h) Prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria.

Art. 10. O jornalista não pode:a) Aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com a tabela fixada por sua entidade de classe.b) Submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação.c) Frustrar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate.d) Concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual.e) Exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas, onde seja funcionário, assessor ou empregado.III - Da responsabilidade profissional do jornalista

Art. 11 - O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros.

Art. 12 - Em todos os seus direitos e responsabilidades o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da categoria.

Art. 13 - O jornalista deve evitar a divulgação de fatos:a) Com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas.b) De caráter mórbido e contrários aos valores humanos.

Art.14. O jornalista deve:a) Ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas objeto de acusações não comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas.b) Tratar com respeito a todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar.

Art. 15 - O jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria, quando ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções.

Art. 16. O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional, em seus aspectos político, econômico e social, e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade, respeitados os direitos das minorias.

Art. 17 - O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais.IV - Aplicação do Código de Ética

Art. 18 - As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética.
Parágrafo 1o - A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria, por voto secreto, especialmente convocada para este fim.
Parágrafo 2o - A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato.

Art. 19 - Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalidades, a serem aplicadas pela Comissão de Ética:a) Aos associados do Sindicato, de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do Sindicato;b) Aos não associados, de observação, advertência pública, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do Sindicato;Parágrafo único - As penas máximas (exclusão do quadro social, para os sindicalizados, e impedimento definitivo de ingresso no quadro social, para os não sindicalizados) só poderão ser aplicadas após prévio referendo da Assembléia Geral especialmente convocada para este fim.

Art. 20 - Por iniciativa de cidadão, jornalista ou não, ou instituição atingidos, poderá ser dirigida à Comissão de Ética para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista.

Art. 21 - Recebida a representação, a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamental ou, se notadamente incabível, determinará seu arquivamento, tornando pública a decisão, se necessário.

Art. 22 - A publicação de penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista, objeto de representação, sob pena de nulidade.
Parágrafo 1o - A audiência deve ser convocada por escrito pela Comissão de Ética, mediante sistema que comprove o recebimento da respectiva notificação, e realizar-se-á no prazo de 10 dias a contar da data do vencimento do mesmo.
Parágrafo 2o - O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior, ou apresentar suas razões oralmente, no ato da audiência.Parágrafo 3o - A não observância pelo jornalista dos prazos previstos neste artigo, implica a aceitação dos termos da representação.

Art. 23 - Havendo ou não resposta, a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas no prazo máximo de 10 dias, contados da data marcada para a audiência.

Art. 24 - Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral no prazo máximo de 10 dias corridos a contar do recebimento da notificação.Parágrafo único - Fica assegurado ao autor da representação o direito de recorrer à Assembléia Geral, no prazo máximo de 10 dias a contar do recebimento a notificação, caso não concorde com a decisão da Comissão de Ética.

Art. 25 - A notória intenção de prejudicar o jornalista, manifesta em caso de representação sem o necessário fundamento, será objeto de censura pública contra o seu autor.

Art. 26 - O presente Código de Ética entrará em vigor após a homologação em Assembléia Geral de Jornalistas, especialmente convocada para este fim.

Art. 27 - Qualquer modificação neste Código somente poderá ser feita em Congresso Nacional de Jornalistas mediante proposição subscrita no mínimo por 10 delegações representantes do Sindicato de Jornalistas.

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José Joaquim da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes nasceu em 1746. É considerado um dos maiores mártires da independência do nosso Brasil. Tiradentes nasceu na Fazenda do Pombal, em uma cidadezinha do interior mineiro, que se situava entre São José - hoje atual cidade de Tiradentes - e São João del Rei. Seu pai era um homem simples que possuía uma pequena fazenda e se dedicava aos serviços coloniais. Tiradentes não pode estudar o ensino normal na sua infância e adolescência, pois ficou órfão aos 11 anos de idade. Durante sua vida, exerceu inúmeras profissões. Foi mascate, pesquisador de minerais para as primeiras empresas da mineração e ainda dedicou-se à profissão de médico. Tornou-se muito conhecido, na sua época na região onde habitava por sua grande habilidade em arrancar e colocar novos dentes nas pessoas. Dentes os quais ele mesmo fabricava com grande arte. Quanto á sua vida militar, sabe-se que pertenceu ao Regimento dos Dragões de Minas Gerais. Devido também á competência em que exercia a tarefa, ficou no posto de alferes por muito tempo, comandando uma patrulha de ronda do mato, prendendo ladrões e assassinos que ameaçavam a coroa. Dessa forma, foi se tornando homem de grande destaque na sociedade mineira.

Por volta dos anos de 1789 o Brasil Colonial começava a apresentar alguns sintomas de que estava se tornando uma grande fonte de renda material para a coroa portuguesa. A população crescia de forma bastante visível, os meios de comunicação estavam se tornando cada vez mais velozes e eficazes e a exportação de mercadorias para a metrópole aumentava cada vez mais em ritmo acelerado. Os colonos iam tendo um sentimento de autonomia cada vez maior, achando que já era tempo de o nosso país fazer a sua independência do domínio português. O que em partes era um grande erro, pois a colônia não tinha autonomia suficiente para tomar tais decisões.

Com novas idéias surgindo no interior mineiro, houve então em Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, no Estado de Minas Gerais, uma conspiração com o fim de libertar o Brasil do jugo português e proclamar a República. Uma das causas mais importantes do movimento de Vila Rica foi a independência dos Estados Unidos, que se libertara do domínio da Inglaterra em 1776, e também o entusiasmo dos filhos brasileiros que estudaram na Europa, de lá voltando com idéias de liberdade.
Ainda nessa ocasião não era boa a situação econômica da Capitania de Minas, pois as minas já não produziam muito ouro e a cobrança dos impostos - feita pela coroa portuguesa - era cada vez mais alta.

O governador de Minas Gerais, Visconde de Barbacena, resolveu lançar a derrama, nome que denominava a cobrança dos impostos. Por isso, os conspiradores combinaram que a revolução deveria irromper no dia em que fossem cobrados esses impostos. Desse modo, o descontentamento do povo, provocado pela derrama, tornaria vitorioso o movimento. Isso se não tudo tivesse dado certo.

A movimentação começou a ser preparada. Grandes militares, escritores reconhecidos pela sua importância na cultura e na literatura, poetas de fama nacional e internacional, magistrados e padres tomaram parte nos planos que iriam desencadear a revolução. A idéia era de que aqueles que estavam descontentes com o regime atuante deveriam se unir e proclamar uma república, com a abolição imediata da escravatura, procedendo à construção de uma universidade, ao desenvolvimento da educação para o povo, além de outras reformas sociais de interesse para a coletividade.

Um dos principais idealizadores da revolução era o conhecido Tiradentes. O movimento revolucionário ficou apenas em teoria, pois infelizmente não chegou a se concretizar. No quarto mês do ano de 1789, o infeliz coronel Joaquim Silvério dos Reis, que de forma mesquinha se fingia amigo e companheiro, traiu os inconfidentes, denunciando o movimento ao governador.

Na época, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes encontrava-se no Rio de Janeiro, onde com a ajuda de outros inconformados com o regime, planejavam a idealização do movimento. Percebendo que estava sendo vigiado, procurou esconder-se numa casa da rua dos Latoeiros, atualmente Gonçalves Dias, sendo ali preso. O processo de condenação durou 3 anos. No dia 20 de abril de 1792 foi lida a sentença decretando que todos os condenados deveriam ser enforcados em praça pública. No dia seguinte uma nova sentença modificava a anterior, mantendo a pena de morte somente para Tiradentes.

Joaquim José da Silva Xavier foi enforcado a 21 de abril de 1792, no Largo da Lampadosa, no Estado do Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, sua cabeça foi erguida em um poste na Vila Rica. A casa do inconfidente foi arrasada, todos os ambientes do local foram salgados e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes.

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O TextoVivo- Narrativas da Vida Real entrou no ar no dia 2 de setembro de 2003 durante o XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). O TextoVivo (assim mesmo, tudo junto e com T e V maiúsculos) é um canal de divulgação, experimento e reflexão sobre Jornalismo Literário, modalidade conhecida também como Jornalismo Narrativo, Creative Nonfiction ou Periodismo Informativo de Creación. Todos esses nomes se referem a obras impressas ou audiovisuais que combinem o vigor da pesquisa com a arte de contar uma história verdadeira, com personagens reais, lugares reais, situações reais.

No TextoVivo encontram-se informações, ensaios, reportagens e propostas de projetos especiais para empresas (com ou sem fins lucrativos) interessadas em produzir jornais, revistas, suplementos, sites e livros ilustrados; perfis ou biografias de pessoas e grupos; história de cidades e de famílias. "Nossas técnicas narrativas aliam compreensão, interpretação e arte", afirma o jornalista Sergio Vilas Boas, autor do livro-reportagem "Os Estrangeiros do Trem N" (Rocco, 1997) e um dos idealizadores do portal. "Mas incentivamos que as produções versem, preferencialmente, sobre temas sociais de interesse público; que os autores identifiquem os problemas aflitivos da sociedade atual mas que, sobretudo, apresentem soluções viáveis e as alternativas possíveis", completa.

Os objetivos do TextoVivo vão além do comentário crítico de obras não-ficcionais ou de um simples acervo de reflexões sobre o tema central. O principal propósito é estimular novos autores de livros-reportagem, biografias e documentários. "Nosso compromisso é mostrar, com estilo, retratos narrativos de situações de hoje, apresentar episódios importantes do passado, projetar vislumbres do futuro", afirma Edvaldo Pereira Lima, professor da ECA/USP e autor do clássico "Páginas Ampliadas" (Manole, 3ª edição, 2003), sobre as relações entre o jornalismo aprofundado e as técnicas narrativas da boa literatura.

O portal é obra de um quarteto de jornalistas-pesquisadores especializados no tema. Além de Sergio Vilas Boas e Edvaldo Pereira Lima, assinam o projeto o professor Celso Falaschi, da PUC-Campinas, e o jornalista-webmaster Rodrigo Stucchi. Rodrigo se apaixonou pela Literatura da Realidade no terceiro ano do curso de jornalismo da PUC-Campinas. Foi ele quem primeiro teve a idéia do lançamento de um site sobre um tipo de narrativa que, no Brasil, está mais identificada com livros e filmes. "Em abril de 2003, começamos as reuniões para pensar o novo site. Realizamos uma por mês, sempre em São Paulo, Campinas ou Itu", lembra Rodrigo Stucchi, que mora em Itu.

Outro suporte importante do projeto está expresso na seção Educação do portal: levar o mundo das narrativas da vida real também para faculdades, centros universitários, universidades e empresas de comunicação de qualquer região do Brasil. "As oficinas abordam praticamente todos os temas discutidos no site e são conduzidas por profissionais que reúnem tanto a experiência da grande imprensa como a vivência do ensino em universidades renomadas", diz Celso Falaschi. Os programas e a carga horária dos cursos são flexíveis.

O site propõe uma estrutura visual relativamente simples, sem poluições, "sem efeitos espetaculares". O importante é navegar sem se perder e valorizar textos (e imagens), que captem a atenção do internauta do início ao fim. O tamanho dos textos não importa muito. Os quatro acreditam que a linguagem de internet é perfeitamente compatível com o tipo de narrativa que divulgam: aprofundada, humanizada, literária, às vezes extensa. "Não nos preocupamos com 'informação instantânea' ou 'informação em tempo real'. Gostamos de histórias, reflexões e idéias para um mundo melhor", sorri Sergio Vilas Boas.

www.textovivo.com.br

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Educação é assunto que volta e meia deve ser tratado, não somente dada a importância do tema como à demora de certas providências reclamadas.

A primeira e a de mais reticente reclamo é o ensino federal superior, que costuma ser o do mais alto custo do País e de seus piores resultados. Refiro-me ao ensino superior, onde as universidades federais deixam muito a desejar, quer em razão das deficiências dos corpos docentes, quer pelo reduzido resultado dos alunos.

Os dados conhecidos demonstram como há deficiências graves, sobretudo quando é ele confrontado com o ministrado pelas universidades estaduais. Daí a conclusão de que há necessidade de revisão dos cursos, sobretudo no que se refere ao professorado superior.

A situação é preocupante porque é da competência da União o ensino superior, que deixa de servir de modelo, quer no que tange à educação em si, quer relativamente ao progresso dos estudantes.

Pense-se, por exemplo, nos cursos jurídicos que são os mais deficientes, como o demonstram os concursos realizados para escolha de juízes, procuradores ou delegados de polícia.

Quando se diz que o Brasil é a terra dos bacharéis, bem se pode imaginar a deficiência que reina nesse campo.

Quanto ao ensino fundamental, que constitucionalmente cabe aos municípios e aos Estados federados, a crítica não poderia ser mais negativa. Elevado a nove anos, devia ele ser distribuído de maneira a competir os primeiros cinco às escolas municipais, e os quatro restantes aos cursos estaduais, pois é evidente que os municípios não têm capacidade de oferece-los de maneira suficiente. É claro que a situação muda em relação às capitais dos Estados e às cidades de grande renda e população.

Se insisto sobre esse ponto, é porque é evidente a incapacidade da maioria de novos municípios, quer quanto ao número de estabelecimentos escolares, quer à qualidade do ensino por eles prestado.

Nesse sentido, volto a dizer que devia haver uma mudança na matéria, cabendo, via de regra, o ensino dos primeiros cinco anos às escolas municipais, e dos restantes aos ginásios estaduais, salvo os casos de municipalidades abonadas, que são poucas. Voltaríamos, assim, ao sistema de escolas preliminares completadas pelos ginásios, o que daria mais organicidade ao tema.

Os três anos finais competiriam aos colégios ou liceus, o que viria dar um sentido mais claro ao ensino médio, hoje não bem caracterizado por suas duas finalidades complementares: a de um estudo bastante para a maioria dos adolescentes, e uma preparação adequada para ajustar os exames vestibulares.

Quanto a estes, não é demais uma revisão, de tal modo que sejam mais adequados à época em que são exigidos, e tenham um sentido mais prático do que teórico, uma vez que nesse mesmo sentido deveriam ser organizados os exames destinados à entrada na universidade.

Tem sido observado que os exames vestibulares, em alguns setores, primam pelo exagero doutrinário, o que, em grande parte, explica o número de candidatos repetentes, surpresos com as questões formuladas.

Como se vê, a reforma do ensino deve ser global, não ficando limitada a certos níveis onde a necessidade revisional é mais evidente.

Não é demais dizer algo ainda sobre o ensino superior que não devia se destinar apenas às matérias tradicionais, passando a ser criados cursos técnicos de pequena duração, que permitirão a maior número de alunos de afrontar a vida com antecedência e pragmatismo.

Em artigo anterior, nesta mesma página, pleiteei a fundação de cursos de Ciência Política, para atender ás necessidades de preparo para a vida administrativa, e à prática da vida representativa, desde os estabelecimentos do município até à União. Será uma maneira de fornecer curso superior de grande utilidade para a democracia do País.

Como se vê, o que me parece indispensável é programar cursos práticos da mais ênfase possível, em virtude do ensino cada vez mais crescente de ciências e técnicas que o conhecimento vai acrescentando. Modernizar-nos, eis o que é necessário fazer.

Os cursos técnicos de pequena duração, repito, são aconselháveis, a fim de que não fiquem sobrecarregados os cursos tradicionais.

Nas aulas dadas na universidade, prevalece o sistema coimbrão do professor que faz uma preleção, ou seja, uma aula magistral e monocórdica, sendo raro os cursos com seminários ou laboratórios, como se dá nos cursos de clínica médica ou de química.

Quanto a ministração do ensino em si mesmo, seria conveniente que, periodicamente, fossem feitos quesitos sobre a matéria dada, não me parecendo que haja assunto incompatível com esse processo.

Outra iniciativa salutar seria a de provocar debates entre os alunos, escolhendo tema dos mais relevantes, pois a discussão teria a virtude de por em evidência os grandes assuntos tornando a participação dos estudantes mais viva e persistente.

É preciso levar em consideração que a educação não deve ficar limitada ao ensino, envolvendo necessariamente a pesquisa e a prestação de serviços à comunidade, formando esses três caminhos a coroa fundamental de orientação da meteria que estamos examinando.

Não se deve esquecer que nos países mais desenvolvidos economicamente, a pesquisa científica é em geral feita pelos grandes organismos econômicos, ou pelas grandes empresas, com grande quadro de patentes protetoras no país e no estrangeiro. Ao passo que no Brasil não podemos deixar de atribuir, primordialmente, a pesquisa às universidades, como acontece exemplarmente com a Universidade de São Paulo, USP.

Quanto ao progresso de um povo, deve se reconhecer que ele se desenvolve "pari passu" com o crescimento econômico. E este depende fundamentalmente da educação.

Como se vê, todos os programas estão interligados e a educação atua como um eixo dos fatores operantes.

* Miguel Reale: Reale morreu sexta-feira, 14 de abril, de infarto do miocardio. O professor emérito da escola de Direito da USP, considerado pai do Novo Código Civil, tinha 95 anos.

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¨Distante de um tempo em que a compra e a venda de bens de consumo ocorriam de porta em porta e sem mediações virtuais, a sociedade contemporânea sofre os efeitos deletérios da publicidade midiática.¨


Você também tem a impressão de que as horas do dia, os dias da semana, as semanas dos meses e os meses dos anos estão escapando de nosso controle? É... Parece irrefutável a afirmação de que o tempo está passando mais rápido mesmo, em que pese o fato de que os ponteiros dos relógios ou os nostálgicos pêndulos dos cucos teimam em manter seu secular e monótono tic-tac, tic-tac... Em nossa percepção, o tempo está acelerado e nos arrasta para o futuro, distanciando-nos velozmente de tudo o que tenha que ver com o passado.

Mas... você não tem a impressão de que o mundo encolheu? De que tudo está ao alcance das mãos e o que era longe passou a ficar logo ali? A filha de sua vizinha foi estudar no estrangeiro; seu amigo, que se encontra lá do outro lado do mundo, fala e se mostra a você diariamente pela internet. Você discorre, com a mesma desenvoltura, sobre atentados em países longínquos quanto sobre assaltos em sua vizinhança! Os espaços locais, regionais, nacionais e internacionais se intercomunicam e se sobrepõem em nossos discursos e em nosso cotidiano. Hoje, mais do que nunca, somos habitantes de uma aldeia global!

Essa compressão do espaço e do tempo é característica do "meio técnico-científico-informacional", que é o nome dado pelos estudiosos à globalização em sua fase atual. O objetivo primordial dos espetaculares avanços no âmbito da técnica, da ciência e da informação é garantir, aumentar e acelerar a reprodução do capital, concentrando-o em poucas e grandes organizações de atuação planetária. Em outras palavras, todas as distâncias foram superadas e todo o tempo é otimizado a fim de garantir que o capital investido na produção de qualquer mercadoria retorne com polpudos lucros. E, para que isso de fato ocorra, é necessário acelerar o tempo dos processos de produção-circulação-venda-consumo e encurtar as distâncias, a fim de que todos os cantos do planeta sejam acessíveis aos produtos e processos. Estamos vivenciando a mais vertiginosa forma de reprodução-concentração do capital! Nesse contexto quero pensar a comunicação publicitária, que considero como a porta-voz de valores e atitudes que, se propagados e assimilados por milhões de pessoas consumidoras, garantem a eficiência e a agilidade da reprodução do capital.

Em um primeiro momento, fiquei surpreso - embora comece a concordar - com a posição de Oliviero Toscani, ex-diretor de arte da Benetton, quando chamou os publicitários de "bando de delinqüentes" por venderem sua criatividade e inteligência a megacorporações. Para conseguirem convencer o público a comprar, não têm receio de "desinformá-lo" e "enganá-lo" com suas milionárias peças publicitárias. Não há nenhuma responsabilidade social, nenhum compromisso com a verdade... A realidade não passa pelas peças publicitárias.

Não compramos produtos; compramos a realização de nossos desejos mais profundos, associados aos produtos pela criatividade delinqüente dos publicitários.
Compramos a felicidade da família reunida (desejo profundo das mães) nas margarinas. (Do que são feitas? Não interessa! Quais os perigos para a saúde? Não interessa!)
Compramos a juventude e a alegria das amizades verdadeiras (desejo profundo dos jovens) numa roupa e num tênis. (De onde vem a matéria-prima para sua confecção? Não interessa! Os corantes que as tingem são naturais ou artificiais? Não interessa! Como vivem os operários que os produzem? Não interessa!)
Compramos a sensualidade e o poder da sedução (desejo de homens e mulheres) numa cerveja. (Mas do que são feitas as cervejas? Tornam-nos mais sedutores e atraentes de verdade? Isso não interessa!)
Compramos o aconchego da proximidade e da comunicação (desejo profundo de todos nós) num aparelho celular. (Mas será mesmo que suas ondas eletromagnéticas são cancerígenas e genotóxicas - nocivas ao DNA -, como afirmou o Colégio de Médicos de Viena, no estudo denominado Reflex, com a colaboração de 12 centros de pesquisa de sete países da Europa? Ah... isso não interessa!)

E somos levados a consumir numa velocidade alucinante, como alucinantes e urgentes são nossos desejos, que não param de ser estimulados por belíssimas e milionárias campanhas publicitárias de massa. Ah! Como estão distantes nossos desejos de nossas necessidades...

Temos necessidade de ser amados por pessoas significativas para nós. Mas a publicidade nos ensina que seremos amados e aceitos se estivermos na moda... Mas a moda muda a toda hora! E a toda hora estaremos inseguros, já que nossa segurança repousa no ter e aparentar, que mudam com as estações. Temos necessidade de comer, e nos ensinam que comer bem é deglutir grandes hambúrgueres com batatinhas... Então desejamos Big-alguma-coisa para ser jovens, felizes, belos e sadios! Temos necessidade de ser reconhecidos. E nos dizem que o reconhecimento está diretamente ligado ao ano, modelo e potência de nosso carro ou moto... Aí desejamos aquele carro que será a "vitrina" em que nos apresentaremos ao mundo e por ele seremos avaliados e considerados.

Talvez seja o momento de começarmos a ficar um pouco mais livres da moda e muito criteriosos com relação a tudo o que levarmos para casa. Exercitar a nossa capacidade de discernimento entre necessidade e desejo talvez abra caminhos para nossa autonomia em relação ao ritmo alucinante e "biocida" proposto pela globalização. Experiências de resistência e alternativas ao estado atual das coisas já se fazem sentir. Vamos "sintonizar" essas ondas de mudança!

* Arnaldo Poletto - Professor de Comunicação Social
E-mail: apoletto@hotmail.com

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O site da Agência Rio de Notícias tem por objetivo levar aos cidadãos cariocas e de todo Brasil notícias do Rio de Janeiro. Além de trazer as principais notícias do dia, o site conta ainda com um grupo de colunistas que não têm medo de expor suas opiniões. E ainda, todo o conteúdo do site pode ser reproduzido em outros meios de comunicação, bastando apenas citar a fonte. É uma boa opção de navegação para aqueles que querem ficar bem informados de tudo que acontece no Estado do Rio de Janeiro.

www.agenciariodenoticias.com.br

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O site AGRICOMA, do Congresso Brasileiro de Comunicação em Agribusiness e Meio Ambiente é um portal que tem um comprometimento com a qualidade de vida. A principal proposta é contribuir para o aumento do fluxo de informações em agribusiness e meio ambiente, estimulando a reflexão sobre temas relevantes destas duas áreas. Embora não apresente um conteúdo muito dinâmico, no site é possível encontrar links com conteúdos de comunicação em agro negócio, sempre destacando as iniciativas que estejam afinadas com os princípios da equidade e do desenvolvimento sustentável e repudiando as agressões ao meio ambiente e as más condutas sociais, políticas e ecologicamente irresponsáveis.

www.agricoma.com.br

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O site da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a ABRAJI, foi criado por um grupo de jornalistas brasileiros interessados em trocar experiências, informações e dicas sobre reportagem, sobretudo as de caráter investigativas. Para os alunos de jornalismo, mais ainda aqueles que se interessam pela área investigativa, é uma boa dica de navegação. O site oferece a possibilidade de cadastro, tanto para profissionais quanto para estudantes de jornalismo, fazendo com que o associado tenha acesso aos conteúdos exclusivos do site e participe de eventos organizados pela ABRAJI gratuitamente.

www.abraji.org.br

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Os autores P. Albert e F. Terrou, em seu livro História da Imprensa, publicado no Brasil pela editora Martins Fontes, no ano de 1990, apresentam-nos um panorama geral da evolução da imprensa no mundo. Ao longo de 121 páginas, os autores dissecam toda a história da imprensa no mundo, desde a sua origem, passando pelas diversas dificuldades e conflitos. Além de apresentar todos os meios que foram necessários para garantir à imprensa moderna a estabilidade que ela tem hoje, o livro História da Imprensa analisa outras grandes invenções, mas que, pelos mais diversos motivos, não deram certo. Sem qualquer sombra de dúvidas, P. Albert e F. Terrou conseguiram sintetizar de forma brilhante toda a caminhada da imprensa no mundo. O livro de P. Albert e F. Terrou trata dos principais aspectos que envolvem a imprensa no mundo. Traz uma visão resumida do amplo panorama que os autores pretendem desenhar. É um trabalho de divulgação que trata de um guia importante para aqueles que desejam se iniciar no conhecimento do jornalismo, que vem se tornando cada vez mais universal e indispensável à vida social, política, cultural e econômica das nações.

ALBERT, P. e F. TERROU. História da Imprensa. Tradução de Edison Darci Heldt. São Paulo: Martins Fontes, 1990

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O livro traz algumas reflexões a respeito do grande potencial que a mídia tem de formar e deformar as consciências. Busca esclarecer dúvidas referentes ao funcionamento do jornalismo na ótica de uma hierarquia e o interesse do órgão gestor do meio. Pierre Bourdieu, autor da obra, faz uma análise profunda do campo jornalístico, que a cada dia é mais exigente e influenciado pelas leis impostas pelo mercado econômico. Procura demonstrar de que modo ocorre a atuação do mercado de um modo estrutural e complexo, auxiliando as pessoas a visualizarem, de forma mais complexa, o processo de como é produzida a notícia. As idéias expostas na obra são extremamente importantes e preciosas para que se possa compreender o grau de complexidade da notícia em si, transmitindo de forma esclarecedora a idéia do interesse maior da televisão: a competição empresarial e mercadológica. O livro é um convite aos futuros jornalistas a se mobilizarem e ao menos lutarem para mudar os interesses da maioria dos meios de comunicação, que hoje se resumem em ser líderes de mercado e não se preocupar com a ética na comunicação. A população precisa de informação e educação, não somente de entretenimento e alienação.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão: A influência do jornalismo e os jogos olímpicos. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro, 1997. 143 p.

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"O escavador de silêncios" é uma obra lançada pela Paulus Editora, com o objetivo de formar uma consciência crítica do público especializado na área de comunicação social, sobretudo no jornalismo. Ciro Marcondes Filho, autor da obra, fundamenta a comunicação a partir dos principais conceitos filosóficos. Parte do discurso platônico e suas reflexões no período da escolástica, pela vertente empírico-conceitual desde Aristóteles ao nominalismo e empirismo inglês. Inclui a filosofia analítica e pragmática do século XX, chegando até os grandes críticos da metafísica contemporânea, destacando Nietzsche e Heidegger. Com isso, afirma que a comunicação ultrapassa a mera troca de informações de uma linguagem estrutural, fato comum dos mass media. Realiza-se num processo de interação humana, onde resgata-se o silêncio, o toque, o olhar... Enfim, a interação e troca humana nos diversos âmbitos das relações. Marcondes Filho consegue de forma bastante clara percorrer os caminhos da filosofia, extraindo dela reflexões que fundamentam um estatuto teórico para a comunicação. Oferece aos leitores uma reflexão concentrada, reflexiva e inédita na comunicação.

FILHO, Ciro Marcondes. O escavador de silêncios: formas de construir e desconstruir sentidos na Comunicação. Paulus: São Paulo, 2004. 576 p.

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É possível observar diariamente que está cada vez mais complicado assimilar o bombardeiro de informações que recebemos. Já diz o bom e velho ditado: em terra de cegos, quem tem um olho é rei, e analisando os acontecimentos nessa ótica, podemos observar que o domínio de informações privilegiadas sempre conferiu poder e status a um grupo de pessoas. Atualmente o acesso às informações é democrático, no entanto é de suma importância lembrar que não basta ter acesso à informação. É preciso assimilá-la, ou seja, interpretá-la em todos os sentidos, compreendendo o conteúdo da mensagem. A sociedade é desafiada a se adaptar aos diversos meios que vão surgindo a cada dia, fazendo com que eles se tornem instrumentos importantes na formação de idéias e pensamentos. Um bom exemplo desses meios modernos são os computadores avançadíssimos, que, com o auxilio da internet, transformam o mundo em um espaço sem fronteiras, o que hoje é conhecido como o ciberespaço.

As informações vão se tornando cada vez mais dinâmicas. Utilizando de meios fáceis elas alcançam as pessoas onde quer que elas se encontrem. Mas isso infelizmente pode fazer com que a sociedade algumas vezes se torne um caos generalizado, devido ao grande número de informações. Sendo assim, cabe a cada pessoa selecionar o que vale como fonte de conhecimento e ferramenta de aprendizado. É necessário que a cada dia se faça uma reciclagem daquelas informações que são importantes, separando-as das que são periféricas ou que possam nos prejudicar por meio do conteúdo que nos é transmitido. Nesse sentido, podemos citar aqui como exemplo os jornais diários. É importante fazer uma prévia seleção entre os que são informativos, formadores de opinião e os que meramente são produtos destinados ao entretenimento. Uma boa medida é ter critérios de leitura que possibilitem discernir o essencial do secundário.

Não somente os meios de comunicação impressos, mas também a internet está mudando os conceitos de sociedade atualmente. Na época em que vivemos, os leitores estão expostos a profundas trocas de comportamento, inclusive alguns que envolvem a própria cultura. Alguns estudiosos chegam a afirmar que o século XXI é de esperanças na revolução da informação. A exemplo de Gutenberg no século XV, procuramos trazer hoje não uma novidade que é imutável, mas adaptável aos novos tempos.
A comunicação hoje é dinâmica. Ela se apresenta à humanidade trajando tecnologia. Diversas áreas que nos circundam estão conectados aos frutos dos avanços tecnológicos. A religião, as ciências, a educação, as industrias, todos necessitam do auxilio da tecnologia e das formas rápidas de comunicação.

A escritora Lucia Santaella, autora do livro Navegar no ciberespaço diz que, atualmente podemos nos deparar com três tipos de leitores: o leitor contemplativo, o leitor movente e o leitor imersivo. O contemplativo aqui pode ser visto como o leitor conservador, ou seja, aquele que tem preferência pelo livro impresso nas mãos; aquele que não consegue se apaziguar em somente visualizar uma fotografia, mas vai mais além, precisa tocá-la e senti-la de perto. Já o leitor movente é aquele que se conforma com a chamada leitura de oltdoors, uma leitura rápida e em constante movimento. Esse é o típico leitor fruto da Revolução Industrial. Aquele fortemente ligado aos centros urbanos, que não disponibiliza para si uma grande quantidade de tempo para se dedicar à leitura. E enfim, o conhecido leitor imersivo, aquele que mergulha no universo da virtualidade. Esse é o novo tipo de leitor, moderno, que não se satisfaz com uma simples leitura de jornal ou um livro. Ele sente a necessidade de mergulhar no texto e ao mesmo tempo exige uma interatividade com o mesmo. Seu grande instrumento de informação é a Web.

Neste início de século, está se delineando uma simbiose homem-máquina e se anunciando, para os próximos anos, uma situação em que será cada vez mais difícil distinguir a prótese no humano e a parte de carne na máquina. Como diferenciar o que é humano neste enorme universo do orgânico e do inorgânico? Que subjetividade é esta que se transmite através de circuitos, na intimidade digital do ciberespaço?Como se adaptar às novas formas de comunicação e absorção de conhecimentos?
Embora as pessoas estejam saturadas de informações, a cada dia busca-se saber mais. O mundo caminha de maneira rápida, tudo o que vier é bem vindo. Cabe a cada um selecionar o que é importante e aproveitável.

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Certamente o episódio de Auschwitz foi um dos acontecimentos mais marcantes na história da humanidade. Theodor W. Adorno no seu livro Sociologia, publicado pela editora Ática em 1986, com o texto: Educação após Auschwiz, organizado por Gabriel Conh aborda uma questão fundamental para compreender o passado histórico referente ao Holocausto na Alemanha Nazista, no período da Segunda Guerra Mundial. Em "Educação após Auschwitz", Adorno sugere que as condições sociais objetivas que empurraram a humanidade à barbárie já são a barbárie, e não somente seus resultados mais terríveis. A "educação contra a barbárie" exige, portanto, uma crítica radical dessas mediações objetivas e subjetivas pressupostas, que, segundo nossa compreensão, aponta para o caráter fetichista da sociedade da mercadoria, do processo formativo e deformativo pelo trabalho social abstrato e o atual caráter da ideologia, numa fase de "ideologia zero".

Para Adorno, é inconcebível que uma civilização como a nossa hoje - munida de vários aparatos tecnológicos, que podem estar a favor da informação - repita o episódio de Auschwitz. E mais inaceitável ainda, é criar hipóteses para justificar o ocorrido. Sigmund Freud chega a afirmar que a civilização produz a própria anticivilização. No caso de Auschwitz, pode-se ter explicações razoavelmente plausíveis seguindo a linha de raciocínio freudiana. Porém, ter consciência da barbárie ocorrida e repeti-la, isso sim deve ser abominável e inaceitável.

Adorno sustenta a tese de que é importante se pensar a cada dia na possibilidade de uma nova Auschwitz. Carregar essa suposta desconfiança e estar historicamente informado a respeito do fato é comprometer-se em criar medidas de prevenção que possam evitar uma nova Auschwitz. E ainda: ignorar tais fatos e afastá-los da história é uma ação digna de condenação, pois mesmo o homem moderno - com suas tendências e projetos para o futuro - deve se lembrar que sua existência presente é fruto do tempo que passou. Como o próprio Adorno afirma: A educação só teria pleno sentido como educação para a auto-reflexão critica. Temos de ter sempre presente que mesmo nos dias atuais, onde a educação está mais presente pelo fato de termos uma quantidade maior de recursos do que na época de Auschwitz, o mundo não dá tanto valor a ela sendo forma de desbarbarização. A realidade que nos cerca expressa a barbárie e está repleta de fatores que apontam para o risco da regressão e a volta de uma nova Auschwitz. O mundo globalizado impele as pessoas em direção ao xenofobismo, à intolerância diante do outro, à idéia de que há uma inevitabilidade histórica, ao consumismo e ao individualismo desenfreado.

Adorno sustenta a idéia de que a escola deve ser remodelada, ou melhor ainda, ela deve receber mais recursos e suportes que ajudem na educação de forma geral. Deve-se fazer com que os métodos de ensino nas escolas sejam dinâmicos e proporcionem aos alunos meios para interagirem e se tornarem parte da escola. Adorno afirma que há uma boa alternativa para desbarbarizar a consciência do individuo nas escolas: a inserção dos esportes. Mas é preciso ficar atento com relação às ambigüidades nesse método. É correto afirmar que o esporte proporciona o fair play, o cavalheirismo e a consideração para com o mais fraco. Para isso se requer incentivo de esportes que não visem a competição, e sim aqueles que são meramente recreativos, e que sirvam para realizar uma sublimação da agressividade. O lado negativo na proposta é que os esportes podem gerar a agressão, a crueldade e o sadismo. Esse caso está presente na maioria dos esportes que nós conhecemos, que tem como objetivo gerar um vencedor. Para que essa alternativa possa entrar como medida ao combate da barbárie, é necessário que se faça um estudo sério e sistematizado da forma com que se possa usar do meio esportivo no combate da barbárie.

Para concluir esta resenha sobre as idéias do autor, seria interessante analisar qual o papel da nossa sociedade hoje no combate da barbárie. Segundo ele, todas as pessoas hoje, sem qualquer exceção, se sentem mal-amadas, por que não são capazes de amar o suficiente. Com certeza a falta de amor hoje pela pessoa do próximo poderia levar a uma repetição de uma nova Auschwitz. Como escreve Nietzche em sua obra Além do bem e do Mal, um homem dotado de gênio é insuportável se além disso não tem pelo menos duas outras qualidades: a gratidão e a polidez. Mesmo citando Nietzche em lugar aparentemente inadequado, pois para alguns estudiosos, ele teria sido fonte de inspiração para Adolf Hitler - e isso se tornaria uma contradição - é importante lembrar que os alemães eram dotados de uma genialidade incomparável. No entanto, em meio à tamanha genialidade, faltaram-lhes a compreensão de que os judeus não tinham nada - humanamente dizendo - superior ou inferior a eles. Enfim, Adorno - mentor da quebra do tabu em torno do nazismo - foi um dos responsáveis pelo despertar de consciência crítica no pós-guerra. Depois de fazer tal reflexão, pode-se afirmar que Adorno foi aquele que quebrou o tabu de Auschwitz como ninguém, tornando claro à Alemanha que a democracia só é possível graças à auto-análise e respeito pelo próximo, seja ele quem for.

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Os professores Alfredo Vizeu - Professor do Departamento de Comunicação UFES e professor licenciado UNISINOS - e Jô Mazzarolo, Mestranda em Comunicação UFRJ e jornalista - apresentam uma proposta interessante no que diz respeito ao lead no telejornalismo. Em artigo publicado pela revista Famecos, em 1999, Alfredo e Jô sintetizam a importância do meio televisivo como formador de consciência e opinião pública no Brasil. Têm por objetivo os autores mostrar que os telejornais têm papel de grande importância na construção da realidade. E ainda, discutir de que forma o lead se apresenta na notícia de televisão, tendo como base o newsmaking.

Logo na introdução, os autores apresentam um fato interessante com relação à seca no Brasil. O problema não era conhecido até que o Jornal Nacional mostrasse em horário nobre a grave situação. O interessante notar é que depois que um fato vai ao ar, ele se torna fenômeno de opinião pública. O telejornal pode ser visto hoje como uma grande praça pública. E mesmo o telejornalismo sendo de grande importância para a sociedade, pouco se discute de como ele é elaborado.

Visualizando o assunto nessa ótica, os autores decidiram trabalhar uma das partes mais importantes do telejornal: o lead. Muito se discutiu até hoje a respeito dessa peça fundamental na construção da notícia. Alguns o defendem de unhas e dentes, julgando ele ser a parte mais importante da matéria. Outros o contestam como que ele fosse um grande vilão, desmotivando o telespectador a acompanhar a matéria até o fim. E como afirma Leon Sigal, saber como as notícias são produzidas é a chave para compreender o que significam. Portanto, é interessante que o tema lead seja trabalhado mais vezes. Dessa forma, compreender os modos de elaboração da notícia contribui não só para a reflexão sobre a atividade jornalística, mas para o próprio aperfeiçoamento democrático da sociedade.

É interessante compreender qual foi o real motivo de se ter inserido nas matérias jornalísticas o lead. No começo, ele apareceu como forma de abreviar as matérias, sobretudo as que eram escritas em tempos de guerra. Como os jornalistas não disponibilizavam de recursos avançados para enviar as matérias à redação, a forma era sintetizá-las. Sendo o lead um resumo daquilo que é mais importante na notícia, ele deve ser além de bem elaborado, conciso e relevante. Cabe ao repórter fazer com que o telespectador possa compreender a notícia logo no início. Com o lead é possível fazer tal construção.

Há uma diferença entre as notícias de jornal e as notícias de televisão. Na primeira, o leitor tem a possibilidade de ler a síntese da matéria, o lead, considerado o mais importante. Cabe ao leitor, depois de fazer a leitura do lead, optar se lhe interessa continuar a leitura ou não. No jornal televisivo isso acontece ao contrário. A notícia é elaborada de tal forma que, o telespectador sente a necessidade de acompanhar a matéria até o final. Esse tipo de construção é bastante importante, pois garante a audiência e o interesse do telespectador pela notícia. Segundo os autores, no telejornalismo, a própria matéria tem o objetivo de fazer com que o telespectador se sinta atraído. Os autores usaram um termo bastante relevante que realmente envolve a profissão dos comunicadores: o jornalista se vê obrigado a um constante jogo de sedução para manter a atenção do telespectador até o boa noite dos apresentadores.

O lead no telejornalismo tem a função de fazer com que o telespectador compreenda a notícia na sua totalidade. Todo o assunto deve estar revestido de um começo, meio e fim, de forma a se tornar claro. Além de deixar bastante explícito o assunto referente ao lead, os autores mostraram outros aspectos que dão a essência e faz o telejornal se tornar interessante e atrativo. Um exemplo são as imagens. O jornalista de televisão devem trazer a notícia de forma sintética, breve e visualmente coerente o objeto da notícia. O estudo elaborado pelos professores que deram origem a essa reflexão é bastante atrativo para quem quer compreender como se forma uma notícia, e em especial a notícia televisiva. Sendo o lead o corpo da matéria, é interessante compreender o seu papel no jornalismo. Alfredo Vizeu e Jô Mazzarolo foram bastante coerentes e sintéticos no texto. Foi possível visualizar e compreender a importância do lead na notícia. O que faz com que tenhamos uma maior abertura com relação às ferramentas de nossa profissão.

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